ZonaReGGae reviews “Nuh Skin Up”


Keith Hudson & The Soul SyndicateNuh Skin Up 2007 Pressure Sounds

Nuh Skin Up

“Innovator”, “Mr. Rhythm” ou “The Dark Prince of Reggae” são alguns dos títulos que melhor definem a presença de Keith Hudson no mundo do reggae…
Pertencente ao restrito grupo de artistas/produtores que no início da decáda de 70 revolucionaram a música reggae, Keith Hudson foi mesmo um dos primeiros a ganhar exposição fora do eixo dominante dos sixties-Treasure Isle/Studio One-
Nascido e criado num seio musical em Kingston, influenciado pelo figura musical do avô, conhecido músico de bandas Cubanas, e pelas festas do Downbeat Soundsystem de Sir Coxssone, Hudson educou-se no mundo do reggae, trabalhando como roadie junto dos Skatalites, onde recorda servir-se de “suporte” para o trombone de Don Drummond, de modo a poder estar no estúdio com a banda…
A sua formação e trabalho como dentista (famoso por não utilizar anestesia nos pacientes…), proporcionaram as bases monetárias para a sua entrada em grande no mundo da produção jamaicana, quando aos 21 anos de idade gravou o hit do Mr Rocksteady, Ken Boothe, “Old Fashioned Way”, e lançou-o na sua 1ª label “Inbidimits” (sinónimo, no particular vocabulário de Hudson, para “know Sounds”).
Sem quase dar por isso, Hudson estava rapidamente a produzir grandes vozes do reggae da altura como John Holt, Delroy Wilson ou Alton Ellis…todos eles atraídos pela sua habilidade de lançar os grandes hits da altura, de entre os muitos singles que os talentos da ilha gravavam.
Na linha de outros produtores pouco ortodoxos, como Lee Perry, Yabby You, Augustus Pablo ou The Observer, Keith Hudson assentava o seu trabalho num estilo muito próprio, onde os músicos e os instrumentos disponíveis eram o realce da sua música, sem recurso a efeitos de som e truques de estúdio, para criar o seu particular estilo de produção, onde o groove predomina e a bass&drum connection dominam.
Depois do sucesso com “Old Fashion Way”, 1969 foi o ano em Hudson deixou a sua marca inovadora na música jamaicana, com as primeiras gravações de Deejays em estúdio a serem da sua autoria, nomeadamente a toasting version “Dynamic Fashion Way” de U Roy, seguida de “Spanish Omega” de Dennis Alcapone…Esta conversão da até à altura restrita arte dos soundsystems, em produto de venda comercial, foi culminada em 1972, com o hit que lançou a carreira discográfica do Tippertone soundsystem deejay Big Youth, “Ace 90 Skank”, possívelmente o maior hit de sempre de Big Youth, nesta malha de tributo à moto da Honda, que o próprio Hudson arranjou e levou para o estúdio, para tornar mais realista a intro da gravação!

Depois de reescrever as regras de produção da altura, Hudson encontrou-se no ponto em que para fazer passar a sua mensagem como queria, decidiu ser ele próprio a fazê-lo, começando então a sua série alternada de álbuns de dub/vocais, com o seu característico som obscuro, profundo e intenso, acompanhado das suas distintas vocalizações enfatizadas pelas enigmáticas letras que escrevia. Tudo aliado às suas pouco habituais, e para alguns confusas, técnicas de produção, começava a sobressair o génio incompreendido de Hudson. Dado a música instrospectiva ter pouco espaço no mercado jamaicano, as suas produções estavam destinadas ao esquecimento depois de esgotadas as poucas edições lançadas no mercado…
Em 1973, Hudson lançou “Flesh of My Skin, Blood od My Blood”, o primeiro álbum de reggae a apresentar um conceito, (com todas as malhas a simbolizaram um tributo á história e consciência negra)
e em 1975 o seu clássico de dub “Pick a Dub”, para muitos o primeiro LP de dub temático, (construído com o propósito de serem ouvidas em mix sequencial)…dois albúns que, fruto do sucesso junto da crítica musical internacional, anunciavam o exílio musical de Hudson.

Londres e New York foram os destinos de Mr Rhythm, renascido nos Estados Unidos, e deixando as tendências recentes do dancehall de Kingston para trás, Hudson tinha agora as condições para a sua jornada pela inovação musical seguir em frente. Pegando no conceito de “Pick a Dub”, Hudson continuou o que viria a ser um trio de sets de dub, com o album “Brand” em 1977, e “Nuh Skin Up” em 1979, a representarem o melhor que a produção de Keith Hudson viria a oferecer, antes da sua prematura morte, vitima de cancro do pulmão em 1984

Com apenas 38 anos de idade, a música reggae via-se privada de mais uma peça da sua história, ainda que o cenário musical atmosférico, obscuro e enigmático criado por Hudson, nunca tenha favorecido o seu reconhecimento dentro dos meios promotores…

Pressure Sounds

A Pressure Sounds, devota ao roots reggae e á (re)construção da sua história, aliou então mais uma vez esforços para trazer o crédito devido ao “Dark Prince of Reggae”, com dois reissues agendados para Março, em tributo aos sonoros dubwise de Keith Hudson.
O primeiro deles: “Nuh Skin Up”, versão dub do álbum “From One Extreme to Another” (também originalmente lançado em 1979 pela Nova Iorquina Joint International label), e que conta com os habitual banda de estudio de Keith Hudson na Jamaica, The Soul Syndicates, uma das mais populares session bands da jamaica do inicio dos seventies, fruto da génio dos seus elementos, como o famoso guitarrista Tony Chin, ou a consistente dupla “Fully” Fullwood & “Santa” Davis, impulsionadores do “drum&bass” excitante presente nos dubs de Hudson.

tracklist
Ao longo das 11 malhas que compõem Nuh Skin Up, torna-se visível (ou audível para o caso…) que esse dub de Keith Hudson, é qualquer outra coisa, diferente do habitual dub jamaicano. “Ire Ire”, Nuh Skin Up dub”; “No Commintment” ou a wicked “Bad Things dub” são exemplos da melhor música dub espaçada, escassa em efeitos, mas repleta de liberdade e grandes doses de hipnotismo e mística….características bem enquadrada na história de um álbum, que: é por vezes referido como “The Joint”; não se sabe muito bem, onde e quando foi misturado; e que a sua muito limitada edição de ’79 nem sequer teve direito a capa!!!Sendo lançado dentro de uma capa de cartão com o nome “Nuh Skin Up” carimbado…

O mistério e os mitos, sempre envolveram a figura de Hudson, ao longo dos pouco mais de 15 anos de dedicação à música reggae…muitos deles descortinados por Junior Walker nas sleeve notes deste “Nuh Skin Up”. Walker, parceiro, associado e amigo de Hudson desde os tempos de Kingston até á criação de Joint International em Nova Iorque, jutou-se assim à Pressure Sounds, para dar o seu contributo neste tributo, aquele que considera ser um verdadeiro mestre da música!

A fama nunca foi por certo o objectivo de Keith Hudson, e até bem perto da sua morte, sempre expressou a vontade de ver a sua criação musical aceite na Jamaica, através da oportunidade de lá poder tocar pela primeira vez ao vivo….
O seu legado musical, apesar da inconsistente qualidade em muitos dos seus álbuns vocais, sobressaí pelas interessantes características que pautavam a sua produção, e acima de tudo por ser o seu estilo… nunca antes tentado, e nunca mais recriado…

“His name, Keith Hudson. Born in Kingston,Jamaica, Hail by Brethren as Mr. Rhythm…”

‘Flesh of My Skin’

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