ZonaReGGae reviews: “Raw Truth”


Joseph ‘CULTURE’ Hill ‘Raw Truth’ 2006 Ababajanhoy Records

Poucos são os grupos do oldscholl jamaicano que na década de 70 ajudaram a definir e criar o estilo e som do Rasta Roots Reggae, e que conseguiram transportar essa vibe até aos dias de hoje sem se esquecerem das suas raízes…
Os Culture, formados em 1976 são um desses conjuntos, que fundaram e perpetuaram o Roots Reggae militante e interventivo, muito graças às mensagens espirituais, sociais e políticas do carismático Joseph Hill.


Nascido em 1949, Joseph Hill lançou-se no mundo da música jamaicana no final dos anos 60, actuando como Selector em soundsystems na zona Jamaicana de Lisntead. O conhecido grupo do Studio One, The Soul Defenders foi o passo seguinte de Hill, onde figurou como percussionista e vocalista, o que lhe abriu as portas para a grvação de 3 singles para Coxsone Dood, entre os quais a estreia com “Behold the Land”.
Desde o ano de ’76, quando Joseph Hill, Albert Walker e Kenneth Dayes formaram os African Disciples, convertidos em Culture, foram 30 os álbuns lançados, desde a obra-prima de estreia em ’77 “Two Sevens Clash” até á sonoridade comtemporânea de “World Peace” em 2003.

Se as produções iniciais para Coxsone Dood, Joe Gibbs ou Sonia Pottinger foram a base de lançamento do som dos Culture, com o passar dos tempos, desde a separação do grupo em 1983, o reencontro em ’86, até á saida de Keeneth Days em 1993 e a entrada do veterano Telford Nelson em 1999, uma presença marcou os quase 30 anos de carreira dos Culture, Joseph Hill.
Sinónimo com o nome do grupo, mesmo para os álbuns gravados a solo (como Lion Rock, ou Humble Africa), Joseph Hill foi um dos Elders da música reggae, que até ao dia final se entregou a passar a mensagem através de potentes e marcantes músicas de apelo á verdade, justiça e direitos humanos. Na Jamaica, para além de relembrado como um sobrevivente do desconcertante negócio musical, é venerado pelo seu estatuto de lutador pela liberdade da música, e através desta…

A sua morte em Berlim a 19 de Agosto de 2006, abalou o mundo do reggae, e deixou pelo meio a tour da altura, uma das muitas que destacaram a presença de Hill em palco como das mais energéticas no live act…O seu habitual tributo em palco, á musica do passado e do futuro, continuam através da voz do seu filho Kenyatta Hill, que no recente Rebel Salute foi referido por Mutubaruka como a voz que mais se parece com a do seu progenitor, entre todos os filhos de lendas do reggae…
Diz quem viu ao vivo que “Culture (Hill’s) body might be dead, but his voice nuh gone nowhere…”

Para além do tributo prestado pelo filho, Joseph Hill volta agora aos ouvidos do mundo do reggae, com a sua inconfundível voz e a sua força e perserverança lirica através do lançamento de “Raw Truth”…Uma das últimas gravações de Hill e a primeira a ser lançada desde a sua partida…
Gravado no conhecido Mixing-Lab-Studio em Kingston (um dos mais antigos estúdio jamaicanos), possívelmente durante o ano de 2006, “Raw Truth” não só comemora e preserva a memória de Joseph Hill como reúne uma constelação de nomes do old scholl e dos tempos modernos…uma das mais marcantes caracteristicas de Hill, que sempre soube manter a connection entre as suas origens e o melhor da música comtemporânea.

Composto por Fiahs the Dread (Matthias Reulecke), conhecido pelo seu trabalho com a live band de Gentleman, “Raw Truth six tracks extended play”, lançado em Dezembro de 2006, apresenta 5 versões onde Joseph Hill é acompanhado pelas vozes femininas de June & Nina, do conjunto LMJ na Queen Radio Edit version…no flip side, a Kings Raw edit, reuniu os amigos e companheiros de longa data dos Culture, Albert Walker e Telford Nelson. Duas extended dejjay version, acompanham as letras de Hill, com um toasting do veterano Big Youth, reminiscente da época dourada do Roots Reggae, e o singjay moderno de Daddy Rings, no melhor que ouvimos até á data deste nome do new roots.
Um instrumental dub e uma A Capella de Hill e os backings das LMJ, completam este roots rockers style riddim, misturado pelo mestre Lynford “Fatta” Marsall e produzido por Gary “BenGee” Groper, frontman da Ababajanhoy Records, ramo da ababajanhoy.com, projecto de pesquisa, arquivo e colecção de tudo relacionado com o último imperador Etiope Haile Selassie I

              

A sua posição central no movimento Rastafari e a grande influência na música reggae, são os motes que levam a Ababajanhoy a prestar tributo ao Imperador, e tal não poderia faltar na primeira edição discográfica da editora, com este “Raw Truth”, que traz de volta Joseph Hill, no melhor do seu estilo puro e duro, repleto de palavras de verdade e militância rastafari, prestando o seu tributo á importância do trabalho de Selassie, e apontando o dedo aqueles que terminaram a dinastia Salomónica de 3.000 anos perpetuada até ao reinado de Tafari Makonnen….

“Raw Truth” é entre tudo o resto….Lenda, filosofia, história, roots reggae no seu melhor, e acima de tudo “Culture”….

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