ZonaReGGae reviews: “Englishman”


Barrington LevyEnglishman 2007 Greensleves / Música Activa

Estrela do dancehall jamaicano desde os 15 anos de idade, Barrington Levy pertence à geração de artistas jamaicanos que despertavam a atenção para os eventos, pela sua extrema juventude. No início da era do dancehall, a excessiva produção musical resultante dos meios digitais, abriu espaço e oportunidade para novas vozes, criando-se assim, rapidamente novas estrelas que, com a mesma rapidez se eclipsavam…Barrington Levy destacou-se como um dos poucos a entusiasmar os palcos para além da década de 80, abrindo caminho com o seu inovador estilo vocal, que o levou a ser considerado por muitos, como o primeiro verdadeiro cantor da dancehall music.

Como muitos, Levy começou nos live acts dos soundsystems, em conjunto como seu primo Everton Dacres, com quem teve em 1977 a primeira experiência de estúdio.

O fim dos anos 70 adivinhava uma mudança no cenário musical jamaicano, tanto a nível sonoro, como político e cultural…O Roots militante começava a dar as primeiras mostras de quebra, e começavam assim a compor-se os ingredientes para a era dancehall…um deles dá pelo nome de Roots Radics, a mais requisitada banda de estúdio da época, pelo seu renovador estilo, menos preenchido e muito mais pesado que o som até á altura feito.

Foi em conjunto com os Roots Radics, e a convite do produtor jamaicano Junju Lawes, que Levy gravou no Channel One em conjunto o “nova yorkino” Jah Live, os singles que viriam dar origem ao seu álbum de estreia “Bounty Hunter” em 1979.

O sucesso foi quase imediato, e a voz fluida e poderosa de Levy tormou-se na nova sensação Jamaicana. A sua experiência junto dos soundsystems obrigara-o a competir num cenário dominado pela nova geração de Dejjays. Barrington tirava agora os dividendos dessas experiências, reunindo nas suas gravações a espontaneidade dos Dejjays com o seu estilo vocal mais sereno e pausado.

Este talento, trouxe diversas colaborações para os singles de Levy, principalmente com nomes do Dejjaying da época como Trinity, Jah Thomas ou Toyan.

Apesar de ter atravessado a barreria do “crossover” na década de 90, e o seu estilo no dancehall ter eventualmente sido ultrapassado pelos talentos de nomes como Gregory Issacs ou Bunny Walier, Barrington Levy evidenciou-se com muitas produções que misturavam o beat do dancehall com as suas palavras de reasoning claramente inspiradas pelos nomes do oldscholl roots.

“Englishman”, terceiro álbum de originais lançado ainda em 1979, voltou a contar com a produção de Henry “Junju” Lawes, desta vez acompanhado de Sister Nancy, e das misturas de Scientist e Prince Jammy, que davam então, os primeiro passos na produção digital.

Os riddims são dos mais pesados de toda a carreira de Levy ou de Junju Lawes, e o encanto na voz de Levy demonstra o seu sentimento e habilidade, característicos dos mais prodigiosos. “Bend Your Back”; “Sister Carol” ou “Look Girl” são exemplos dos novos tempos, que exigiam uma mood mais suave no modo de encarar a mensagem, bem como o eterno lovers rock style…No entanto temas como a title track “Englishman”, “Dont Fuss nor Fight” ou “Black Heart Man” transformam “Englishman” num álbum exemplar daquilo que o dancehall é na realidade (ou deveria ter sido…).

A reedição deste clássico, surge em 2007 acompanhado de duas Dejjay version de Schorcer (“The Daughter dem Irie” & “Put on Me Clarks“) e extended versions dos clássicos “Englishman” e Sister Carol“, que a meias com “Shine Eye Gal”, “Collie Weed”, “Black Rose” ou os hits “Under Me Sensi” e “Here I Come”, tornaram Levy na verdadeira estrela do dancehall, culminando em 1984 com o prémio de melhor vocalista nos Britain´s Reggae Awards.

Claro que se seguiu uma crescente investida pela exploração comercial do seu estilo, e as inúmeras colaborações com artistas da cultura pop norte-americana, bem como uma série de álbuns que nada ou pouco tem a ver com a mística demonstrada por Levy nos anos 80…felizmente álbuns como este “Englishman” vão para sempre favorecer e reconhecer o talento natural de Levy para este estilo, que o próprio descreve como “Sweet Reggae Music”.

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