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ZonaReGGae Reviews….Matic Horns-Increase The Peace [2009, Coptic Lion]

November 9, 2009

OUTERNATINAL VERSION!!! @ MSPACE BLOG [ENTRIE: 10 Nov. 09]

Eis que chega, para todos os amantes de roots reggae instrumental, o álbum do ano!
O segundo lançamento do londrino Henry ‘Buttons’ Tenyue a.k.a. Matic Horns, Increase The Peace, coloca o conhecido trombonista ao nível de grandes lendas da música jamaicana como Don Drummond, Rico Rodriguez ou Vin Gordon que tornaram famoso o instrumento, como ‘voz’ principal de grandes clássicos do ska, rocksteady e roots reggae.

Apesar de só recentemente começar a ser reconhecido como um dos génios musicais no estilo, através do seu lançamento de estreia, ‘400 years – Sip a Cup Showcase vol.3’ pela mão de Gussie P, Matic Horns tem uma presença invejável ao longo dos últimos 30 anos no universo do reggae britânico.
Depois de  nos anos 70 ter feito parte de bandas como os Matumbi e tocado regularmente em sessões de estúdio para grandes nomes da produção como Mafia & Fluxy, Ruff Cut, Gussie P ou Stingray; foram os anos 80 que o apresentaram ao mundo, quando em conjunto com o irmão Patrick Tenyue se juntou aos UB40 criando a secção de metais do grupo Matic Horns!

O seu talento e mestria no trombone tornaram-no num dos músicos mais procurados, tanto ao vivo como em estúdio. Nomes do reggae britânico como Aswad, Maxi Priest ou Soul II Soul; e jamaicanos como Gregory Issacs, John Holt, Freddie McGregor, Dennis Brown, Mikey Dread, Earl 16, Horace Andy, são apenas alguns de uma extensa lista de colaborações ao longo das últimas décadas!

Reservado para este ano de 2009 estava o trabalho que simultaneamente, o coloca em definitivo na linha da frente dos melhores músicos de reggae na actualidade; e demonstra o exímio entendimento que ‘Buttons’ tem de como tocar música reggae!
Lançado no passado mês de Setembro pela label Coptic Lion, os 16 temas de Increase The Peace, parecem saídos directamente de um estúdio jamaicano dos anos 70, e em parte até o são, dado grande parte dos malhas instrumentais aqui apresentados serem as riddim versions originais tocadas por músicos como Sly & Robbie, Roots Radics ou Soul Syndicate e produzidas por Bunny Striker Lee, Mike Brooks ou Keith Hudson.
O próprio Mike Brooks, veterano produtor e vocalista jamaicano, participa como produtor deste Increase the Peace, proporcionando o toque único de colocar as melodias e ‘improvisos’ do trombone de Matic Horns, ao nível sonoro dos grandes sons com que nos podemos deliciar ao longo do álbum!
Clássicos da história jamaicana como: Know Your Right (Declaration of Rights); Realisation (Old Fashioned Way); Changes (Queen of the Minstrels), Hilltop (Big Big Pollution) ou Rasta Chant (I Need a Roof), são imediatamente reconhecíveis, e até o conhecedor das inúmeras versões existentes em qualquer destes riddims, vai ficar abismado com a originalidade e naturalidade com que Matic Horns reinterpreta os temas!
Sonoridade em puro revivalismo é possível ouvir no tema Culture Rock, o único actual, em conjunto com os companheiros de longa data Mafia & Fluxy e Gussie P.

Destaque para temas como Roots Message, King ou Thinking Reggae, onde se percebe a capacidade única de Matic Horns em transmitir o seu sentimento através do trombone, algo que neste instrumento só está mesmo ao nível dos mais iluminados músicos, seja em que estilo for!

Um clássico imperdível da música reggae tocado nos tempos modernos, Increase The Peace apresenta-nos todo o espírito do roots jamaicano reencarnado na pessoa e no trombone de Matic Horns!
Blow Mr. Horsman Blow!!!

+INFOS @
MATIC HORNS

ZonaReGGae Reviews….Barry Brown–Let´s Go to the Blues [2009 Kingston Sounds]

November 9, 2009

OUTERNATINAL VERSION!!! @ MSPACE BLOG [ENTRIE: 10 Nov. 09]

Continuam em alta os lançamentos em jeito de tributo, às grandes vozes que marcaram a década de 70 na música jamaicana!

Depois de em 2003 a label britânica Jamaican Recordings ter recuperado grandes versões dubwise de Barry Brown com a compilação Steppin Up Dub Wise, surge agora pela label irmã, Kingston Sounds, mais uma excelente colectânea em formato best of, de um dos grandes vocalistas do roots reggae, apelidado do Bob Dylan Jamaicano!

Originário de Kingston, Jamaica, Barry Brown é uma das vozes de referência no roots reggae militante e consciente.
Depois de muitos anos passados a observar o mundo da música junto dos estúdios de Randy e King Tubby, á espera de uma oportunidade, esta surgiu no final da década de 70 com o single de estreia ‘Girl You´re Always on my Mind’ para o inevitável Bunny Striker Lee.
O seu estilo vocal directo, amigável e real valeu-lhe a confiança de Bunny Lee, que expôs todo o seu potencial na gravação seguinte em ’79, Step it Up Youthman. Um clássico do roots reggae, que deu nome ao álbum de estreia no mesmo ano.
Á semelhança de muito sobreviventes no ghetto, como Johnny Clarke, Linval Thompson, Sammy Dread ou Sugar Minnot, Barry Brown sempre se esforçou por falar da realidade e cultura das zonas pobres e oprimidas, infligindo às suas líricas uma atmosfera única das ruas de Kingston.

Grandes álbuns de roots & culture como Cool Pon Your Corner, Superstar, Prince Jammy Presents Barry Brown ou Far East, tornaram Barry Brown numa das vozes clássicas dos conturbados períodos de revolta social do final dos anos 70, início dos 80; e à semelhança de Johnny Clarke ou Linval Thompson, num dos verdadeiros vocalistas dos primórdios do dancehall.
É neste período que se centra a nova compilação da Kingston Sounds, Let´s Go to the Blues!

Retirados directamente das master tapes, Let´s go to the Blues reúne clássicos da referencia que foi o álbum de estreia: Step it Up, Trying Youthman, Give Thanks and Praises, Natty Rootsman ou Love is the Answer.
Aos seus apelos pela paz e conselhos á juventude, juntam-se alguns dos seus mais fortes temas sociais como Big Big Pollution, Mr Money Man ou Politician.

Ao longo dos 16 temas escolhidos pela Kingston Sounds, é maravilhoso recordar a extraordinária voz de Barry Brown, que acima de tudo reflecte um sentimento verdadeiro, fruto de quem canta sobre aquilo que vivência e experiência.
Incluídos estão claro, grandes clássicos do early dancehall como Cool Pon the Corner, Lead us Jah ou provavelmente o seu maior hit, Far East.

Apesar da carreira relativamente curta, Barry Brown teve a oportunidade de trabalhar para grandes produtores como Linval Thompson, Sugar Minnot, Niney The Observer, Hoo Kim, Coxsone Dood, e quer fosse no estilo, roots, dancehall ou rockers manteve sempre um alto nível de roots & culture, que conseguiu atingir também nas suas próprias produções.

Nunca atingiu o estatuto de estrela, e como muitos outros foi mesmo sendo esquecido ao longo dos anos. Faleceu aos 42 anos de idade , no ano de 2004, vítima de uma queda, e desde então este novo trabalho da Kingston Sounds é sem dúvida alguma o melhor tributo prestado em CD e vinil a este roots struggler!
Um álbum para celebrar uma grande voz e um grande mensageiro, e que durante perto de uma hora convida a mais uma vez… Let´s Go to the Blues!

+INFOS @
BARRY BROWN
&
KINGSTON SOUNDS

ZonaReGGae reviews…GROUNDATION – Here I Am[2009-Groundation Music]

November 1, 2009

OUTERNATINAL VERSION!!! @ MSPACE BLOG [ENTRIE: 03 Nov. 09]

Mais do que um grupo de Roots Reggae moderno, os Groundation são hoje uma referência por todo o mundo, do que de mais criativo se faz dentro do estilo.
Depois de 10 anos de constante inovação e evolução, os Groundation lançaram, passado mês de Junho, o 6º registo de originais, Here I Am, uma autêntica ode á presença e importância da Humanidade como um todo, neste início de século conturbado.

Em lugar de repetir a formula (ou uma das muitas!) que o grupo criou em qualquer outro dos álbuns, Here I Am volta a inovar e demonstra uma nova fase da vida dos Groundation, desta feita criando um verdadeiro som colectivo, onde, á semelhança dos extraordinários espectáculos ao vivo, cada elemento têm naturalmente o seu espaço, para dar o seu melhor e único contributo!

O trio central do grupo, Harrisson Stafford, Ryan Newman e Marcus Urani, fazem agora acompanhar-se por novos elementos: David Chachere (trompete), Kelsey Howard (trombone), Dr.Jason Robinson (saxofone), Mingo Lewis Jr. (Congas) e Tekanawa ‘Rufus’ Haereiti na bateria, talvez o grande destaque nesta ‘nova’ formação, trazendo um singular jazzy Groove á secção rítmica do grupo.

As novidades não se ficam por aqui, com as vozes femininas Kim Pommel e Stephanie Wallace a saírem da posição única de backing vocals e darem a voz em temas como a title track Here I Am, So Blind ou Not So Simple.
Lendas do reggae jamaicano, como o percussionista Sticky Thompson, Pablo Moses e o trio original dos The Congos, são os convidados especiais em Here I Am, mais uma vez complementando a intrigante voz de Harrison Stafford, que chega mesmo a surgir apenas como back vocals no tema Time Come, onde os The Congos confirmam o porque de serem, provavelmente, o melhor trio vocal jamaicano de todos os tempos!

Musicalmente, a construção rítmica em Here I Am é soberba, mantendo a base clássica do Roots Reggae que sempre apaixonou o grupo; não deixando de ser óbvio um retorno às origens do jazz, bem marcada pela presença do primeiro tema instrumental de sempre dos Groundation em álbum, Walk Upright, ou a jam em formato improviso de Not So Simple!

Sendo obviamente um disco para o fanático dos Groundation (como qualquer outro do grupo será certamente), Here I Am, não se apresenta no entanto como um disco para puristas, deixando no ar uma tentativa de quebrar barreiras musicais, e tanto abrir os horizontes dos puristas como introduzir a música jamaicana a todos os outros!

(Groundation ao vivo (You Can Profit) no programa – Radio Arbyla – da televisão grega!)

Musicalmente único pela elaboração dos temas, Here I Am e os Groundation, destacam-se mais uma vez pela originalidade lírica. Sem cair em clichés, e ainda assim directo ao assunto, as letras de Harrison Stafford, são aqui simultaneamente apontadas ao sistema, que parece querer espremer todo e qualquer momento final da sua soberania; e a cada um de nós, apelando para a esperança, e urgência da União e Comunidade verdadeira entre todos nós…Run the Plan, By All Means, Blues Away ou You Can Profit, são algumas das mais inteligentes, verdadeiras e emotivas letras de sempre dos Groundation! A fechar, a complexidade do simples bem presente em Golan to Galilee, num cryout único para a união, onde todas as vozes do álbum se juntam para cantar:
‘From Golan to Galilee/Onto Jerusalem
that´s what I want to see/ All Love and unity
stretching through creation/As far as the Eye can see

I Rasta, I Rasta, I Rasta, I Rasta’

Se para muitos, Here I Am, não será o melhor álbum de sempre dos Groundation, certo é que este é até á data, o melhor momento musical do grupo, transpirando originalidade e em muitos instantes, toda a força e criatividade que o grupo apresenta ao vivo!

Seguem-se as Tours de alerta por todo o mundo; e grandes novidades para o ano de 2010; primeiro com o anúncio do lançamento de mais um capítulo dubwise, da série Dub Wars!
E o lançamento de Holding On to Jah, um dos mais aguardados documentários da história da música jamaicana, produzido por Harrison Stafford!
Aqui fica um pequeno avanço do que esperar!

Mais INFOS@
GROUNDATION
&
GROUDATION MUSIC
&
HOLDING ON TO JAH

ZonaReGGae Reviews…”Renegade Rocker”[ING version]

June 15, 2008

DubmatixRenegade Rocker 2008 7Arts

Dub music is, and will go on being a top request for all lovers of foundation reggae music. It has been a style lucky enough to never go commercial, apparently maintaining the originality of the B-side that popularized this “double” tune, in the beginning of jamaican seventies. The A-side was aimed at the popular hit song; the B-side strive the experimentalist of the engineer and creativity of the deejay.
Throughout the evolution that time provided, it has also indeed, suffered many influences, adaptations and styles combinations, and even sometimes an instrumental is mistaken by a dub, in the true concept of studio sound processing that is allied to it…But in any case, one thing remains true, to the teachings provided from over 30 years ago by the likes of King Tubby, Lee Perry, Errol Thompson or Herman Chin, the riddim emphasis, the drum and bass rocking together, amongst the echoes, reverbs, percussions or fading vocal drops.
It has also taken different paths around the world. Just to name a few, and if in Jamaica it seems to have been forgotten, in Europe taken by storm by the leading UK style or in Asia brought to a singular level on Ambient styles, in north America, it has trailed in a refreshing revival path, in the latest times.

From Canada, Toronto, curiously enough, of the main migration spots for Jamaican musicians in the seventies, comes one the finest understandings of dub music in our days: Dubmatix. One man project, given name, Jesse King, introduced himself worldwide, with “Champion Soundclash”, a kind of, evoking all ages of dub music album…And since that, it has been a non-stop venture in both sides for Dubmatix: taking it to a future level, stepping still, on the foundations one!

Although he is a master in the decks engineering control, his musical background proves to be the driven force, behind is exquisite perceptive of reggae roots music.
While his start out on music, playing drums for a Toronto reggae band named One, surely provided the experience necessary to achieve the current reggae and dub performance, it were his family roots that provided the insight. The childhood years on the road and in studio, with his father and 5 decades career jazz musician, Bill King.
Better known for his works alongside Janis Joplin, Bill King was in the early seventies, playing keyboards with a local reggae group, alongside Everton “Pablo” Paul, one of the members that shared stages with Jackie Mitto or Wayne McGhie, playing in the mythic sixties early reggae band The Cougars!
Being involved in this atmosphere, what a bless must have been for Dubmatix, discovering dub music when Everton Paul lend him the life shaping, classic and essential: “King Tubby Meets Rockers Uptown”.
Good choice! For sure, mainly because it helped define the music that Dubmatix is producing our days…
Still with the partnership efforts and guidance from his musical experienced father, Jesse and Bill King formed in 2003 the 7Arts Entertainment. An independent recording enterprise, aimed at releasing their own music, and the music from other committed artists as they put it: “with something to say”.

With this important support backing his work, and after the release of the above mentioned, “Champion Soundclash”, Dubmatix took off to a more global level, often having the chance to tour is dejaying soundsystem skills, supporting renowned foundation names as Michael Rose, Alton Ellis, Sugar Minnot, Ranking Joe and many more!

Always collaborating with friendly crews in the project Dub Collective; touring in clubs and festivals around Canada, or working in remix projects from many points of the globe (like with “our” very own Portuguese dub crew Bandulu Dub on the track Bandulumatix), Dubmatix kept it focus on pushing dub music limits to a new level each and every time more appreciated abroad.

Dubmatix supporting fan force has been growing worldwide, mainly since the acclaimed 2006 release “Atomic Subsonic”. Though Jamaican guest appearances Freddie McGregor and Anthony B, played a important role in that, “Atomic Subsonic” was the perfect follow up to 2004 “Champion Soundclash”, showing that electronic and digital dub, can coherently complete and be influenced by roots music, resulting in a more true approach to what new modern reggae concept, should stand for.
By the time the vibes reached Europe, trough Silenc!o Records in France, it was a total blast in the dub universe! What proved to be enough for a full 3 months successful tour, in the middle of 2007.

Proven it is that, Dubmatix knows very respectfully to appreciate the fans support and love for his music. Over at Dubmatix.com, we are presented with a more than satisfying selection of free mp3 downloads, from many of past and present productions from this Canadian Dubmeister. Many of those, where also included on the 3rd release “Dread & Gold – Dub from the Smoke Factory”, a strictly digital release containing tunes recorded between 2003 and 2008, where we can find Dubmatix first ever dub release “Ain´t Got no Love” and “Killing Dub”, one of his latest great rootical productions, that served as a sound preview, for what we would be treated in the new “Renegade Rockers”!

Released in last May (2008), “Renegade Rocker” is already taking the world by storm. Not so often we can listen to a reggae album, crossing 4 decades of this music style, in such a pleasant way!
The concepts of reggae and dub music throughout its ages, are all over “Renegade Rocker”, with the updated electro dub sounds meeting with extraordinary rockers, roots, and early dancehall bass driven tracks, completed with original, vintage sounds influenced, horns. Even it´s no surprise that Dubmatix can create the perfect musical Revival Roots atmosphere, “Renegade Rockers” as to stand out, because of the astonishing All Stars line up of Jamaican guest vocals. Alton Ellis, Linval Thompson, Michael Rose, Ranking Joe, Willi Williams, Sugar Minott, Pincher, Wayne Smith…The Who is who in the reggae vocal history is fully represented here, and better yet, in top form and style!

              

Rockers golden voice and top hit producer Linval Thompson, opens the set with a beautiful appeal for “Peace & Love”, followed by the always in demand, top Ranking Joe fast paced deejay style in the track “Tornado”. Near to his fifties, the Studio One oldscholl legend, as used us to top live performances, and plenty of featuring tracks all over the world. In “Renegade Rocker” he present us with a second appearance, one of the best livication to Jah, Ranking Joe efforts of all times, the superb bang-bang-dilly-dilly style “Give Thanks & Praises”.

        

All the veterans made a praising effort to bring a true conscious vibe and message to “Renegade Rockers”, and as we listen to: Willi Williams demands for a righteous world in “Re-Action”, Sugar Minott sweet praises to the bright side of life “In the Ghetto”, or Pinchers struggle livity warnings on “Rock and a Hard Place”, we are offered with a consciousness acknowledgment that only such true strugglers could present…

     

For the lover of revival roots reggae, is hard to standout a favorite from among the vocal tracks on “Renegade Rocker”, but “Easy Down” on material fake joys, requests from Black Uhuru legend, Michael Rose, and rocksteady Godfather, Alton Ellis, “Blessing of Compassion” soulful shouts for positive thinking and acting; could easily make a top entry in any jamaican music top (or at least in a “Renegade Rocker” lyrics concept based, kind of world…). Worth of mention is the outstanding strength that Alton Ellis, in his mid sixties, still has to cry out for changes in the world!

If not yet convincing , just go and listen to Wayne Smith “Idacity”, and you will stay with the felling that, the man that chanced dancehall reggae history with “Under me Sleng Teng”, as done it again! As this, deal with love not with war, uplifting message, could easily become the best single release of the year! It´s not easy to discover or understand what Wayne Smith has been doing over the last decade, but for those curious enough to wonder, here he is, in top form and blessing vocals, over a roots dancehall Dubmatix trademark riddim.

On the other side of Dubmatix, there is a newcomers presentation, also worth of listening, as close companions and Canada based, Raffa D and Rasta Reuben Kwabena, make appearance on the steppas update “Dub in me Hand”. On this well aligned modern dub intermissions along “Renegade Rockers”, we can find some delightful seventies dubwise showdown influences on Sub Dub; Happy Dub and Soul Dread Dub; thunderous future dub productions on Burning Fire Dub, Steppas Shock Dub or the unique reggae/drum & bass connection, from Dubmatix side project DJ Iron Belly, on the final and nice up the dancefloor, uptempo ragga drum&bass track “Push”.

As the old timers catch phrase ”This version rules the nation from creation” echoes near the end of the final “Push”, “Renegade Rocker” insight is disclosed. As this is a version of classic and original reggae concepts, destined to rule, in this world of misguided “riddim of the month” fabrications…Let´s hope and see, that King Dubmatix as arrived to inspire a change on that!

ZonaReGGae Reviews: “Roots” [ING version]

May 7, 2008

Urban Tribe StockholmRoots 2008 Adam Atterby Musikproduktion, Braah Produktion

Urban Tribe renamed Urban Tribe Stockholm in 2006, are a 12 elements original roots reggae band from Sweden. Roots revival bands have been blooming a little all over the world in the last decade or so. Europe is no exception, and Urban Tribe stand out from the majority, with the particularly of their sound bringing back in memory the UK roots scene from the eighties.
In Thailand, Kamala beach, there is a place known as Bob´s Bar, that’s where we need to travel to recon the beginning of this Tribe.
Bob´s Bar was the title from their debut release in 2005, named after the song written there on the spot, by Adam Atterby, the frontman and driven force supporting Urban Tribe, fast rising presence in European reggae scene. In 2 months Atterby wrote 10 more songs, picked up his partners from a former Bob Marley tribute band, Positive Vibration, and Urban Tribe Stockholm were ready to go, on 2004.
When the tsunami struck southeast Asia in December 2004, and “Bob´s Bar” was on its way close to release, the original and inspirational Bob´s Bar had vanished with the huge tidalwave, alongside the rest of Kamala…The album, eventually released in March 2005, was acclaimed in worldwide reggae press as an outstanding debut release from the Stockholm band, and probably even more important than that, it helped the Tribe raising a substantial amount to aid rebuild and sustain their friend Bob´s Bar, reopened in October 2005…an humble, but certainly, sincere livication to all those that lost their lives and livelihood in the tragedy.

Achievements for the album followed with the official release in the USA, a first time attainment for a Scandinavian roots band, and a tour opening act for legendary Steel Pulse, over Sweden and Norway.
After a couple of more road experience, mainly in Germany, 2006 brought Urban Tribe Stockholm another valued gift, with the new “Who´s the Enemy?” album, featuring none than more, David Hinds and Selwin Brown from the original and main influence to the group, Steel Pulse. Two extraordinary tracks the, No Solution (David Hinds) and Babylon (Selwyn Brown) for sure, but in general Who´s the Enemy?, was once more, a breath of fresh air in modern roots reggae music, that just didn’t reach the people as it should. At this point it´s important to state that Urban Tribe are a independent band, mainly self financed, and that back in 2005, were turned down by giants Ras Records, being praised by them as a fantastic band…but not interesting cause they were neither black or Jamaican…
Being that the shame in music business for major companies, fortunately in independent industry, it goes the other way, and in 2006, the “veteran” Swedish reggae band Kalle Baah signed Urban Tribe to their own label in praising efforts to give them a boost.

For anyone closely following Urban Tribe Stockholm 4 year struggle, listening to their albums or checking their Live DVD showcasing their first ever live performance, in May 2005 Bob´s Bar release party, it comes to prominence that this Tribe members, are no newcomers on the music business. Actually they all own a respectable background in Swedish music scene, all being full time musicians associated with different projects and styles. From Jazz, steel drums culture, newgrass, country, hard rock and heavy metal, among for sure many more, Urban Tribe comprise actually, many different roots!

This is unquestionably a plus, to achieve the kind of sound and production they used us to, reaching their top form with the latest release from last April (2008), “Roots”.
We could state that “Roots” is a top modern roots reggae production display, but that would just be a cliché in this case, because all Urban Tribe albums have been that!

Presenting 12 more powerful tunes, “Roots” in spite of the name, is actually the Tribe´s closest approach to the modern reggae sounds. Anyway, and first of all, the brass section arrangements, from sax and trombone players Tobbe Eliasson and Martin Palsson; the organ driven riddims from Sven Wikstrom and Frank Ronningen; and the soulful backing harmonies from the “Soul Sisters” Charlotte Atterby & Linda Ronnback, accompanied by their “brother” Christian Lindstrom, make sure that the best from roots reggae tradition, follows along all “Roots” set.

The rockers feeling is assured by brothers Adam & Mikal Atterby guitars, and most certainly throughout all the album with Steve Nilsoon drumming like a veteran rockers drummer, in perfect line with Anders Kappelin basslines. Surely, one of the musical standouts in “Roots”.

The biggest standout as to be, as it should always in reggae, the message in the music. Adam Atterby´s vocals are stronger than ever, and anyway, being David Hinds his all time main hero and reference, he surely as high standards to live on!
Together with now full band member Bamma B, in “Roots” they both give the meaning to the album’s title. Tune after tune, it´s a truly delight to listen to their vocal clash, chanting down oppressors on “Empire”, “Never Enough” or “Holding the Devil’s Hand”; exposing our days hypocrisy on “High Society” and “Hold Your Peace”, or advising solutions on “Natural” and “Everything you Do”, in a pure roots and culture conscious warning demand, going back to the “Roots”, as the best road to hold on in this troubled times. Powerful messages, delivered in fine style by Adam Atterby, “escorted” by Trinidad born, Bamma B unique raggamufin toasted act. No chestnut, nonsense or slack shouts from this modern times toaster, strictly cultural galore!

Brightening “Roots”, we are offered with the special guest appearance from Jamaican singer Elijah Prophet in the gospel/soul alike “One Fine Day”, and last, standing for best, a entertaining, bring back memories version of Steel Pulse 1980 classic hymn “Reggae Fever”!

What’s missing on “Roots”? Hard to say for anyone into roots revival music, but probably Swedish dub master Internal Dread, a dubbing and engineering presence of both Bob’s Bar & Who’s the Enemy (as in some live acts…), could bring the only awaited omission, in Urban Tribe Stockholm released works till know – Dub versions!

Mainly, this is just another chapter on Urban Tribe Stockholm praising contribution to original reggae struggle…Urban Tribe Stockholm own struggle for recognition will definitely continue, and if in past, they have been compared to legends as Steel Pulse, UB 40 or Third World, time will surely tell about newcomers, measure up to this Urban Tribe lessons from Stockholm city, to the all not paying attention or badminded around the world:

“…The life you live, the choices you make
Are the things that make up your fate
The shape of your future is decided by your past
You plant a seed, you watch it grow
Every man must reap what he has sow
The sum is the destiny you´re holding in your hands

Cause in the end you will held accountable
For all the deeds that you do
God or bad the choice is up to you…”

Everything you Do (Comes back to You)
(Adam Atterby & Bamma B)

ZonaReGGae Reviews:”UK Dub Story”[ING version]

April 16, 2008

VibronicsUK Dub Story 2008 Scoops Records

With its foundations well established in Jamaican cultural music, Dub music can be in present days, defined as one of the most eclectic sounds. Considering that it can derive from the essence of, pretty much, any style, its strength relays on the fact of being an open book to both experimental and traditional studio mix engineering.
The evolution of dub, from the first remixes made in the seventies by King Tubby, Lee Perry, Herman Chin; Errol Thompson or Keith Hudson…to the actual diverse approach, owes much to the import in the eighties across the Atlantic, all the way to the United Kingdom.
Since the mid eighties, UK was established as the new center of dub production, with originators Mad Professor and Jah Shaka, paving the way for a all new open minded generation of producers, DJs, soundsystems and studios, followers of steppers approach, and willing to preserve and pass on dis tradition. Embodying in the sound a whole new kind of digital and electronic musical variations, like drum n bass, jungle, techno, dubstep…they keep on to perpetuate and recreate the diversity and originality within the style till present days.

In the forefront of mid nineties refreshing generations, we find the Leicester city based Vibronics crew.
Vibronics were born from the inspiration that legendary Aba-Shanti-I sound system, and digitally sequenced music, provided to the mentor of the collective, Steve Vibronics.
Since the beginning in 1995, Vibronics produce dub tunes exclusively projected to spin at roots sound systems. With the mentioned Aba-Shanty-I, Jah Shaka or Iration Steppas being the first to embrace, support & promote the raw dub creations, stimulated by the appeal that studio trickery from Scientist or King Tubby provided to Steve Vibronics.
Those first heavy-weight cuts were to be the sounds that introduced Vibronics to UK dub dance pioneers Zion Train, who released the first ever Vibronics track “Awakening” through the compile works Egg Files released in Universal Egg label in 1997.

7’’ inchs on Universal Egg subsidiary Deep Roots, such as “Jah Light Jah Love” followed, opening the path towards shared ventures & collaborations with UK roots names like, Jah Free, Alpha & Omega, The Disciples, Wayne McArthur…Many, across the Europe, live shows and dub clashes after, Vibronics were in the beginning of the new millennium, a well respected presence in Roots scene, featuring by this time a top class crew showcasing singer Boney L, MC Richi Rootz or melodic player Vitamin M, alongside Steve Vibronics.

“Dub Italizer”, in 2000, and “Dub Upliftment” in 2004, where Vibronics first album releases, and in spite of the great and flattered praises they received, they keep on producing single oriented music, build for sound system exposure. Contributing too, and maintaining a strong presence in UK Roots, the SCOOPS label was the perfect way to further this tradition, giving also the chance for both, oldscholl legends and new singers & players to provide their messages and approaches, through a series of 10’’ inch releases. From 2000 till now, Vibronics releases help unleash the powerful vibes and messages, presented by names like, Boney L, Madu, Murray Man, Vitamin M, Splitz Horns, Tena Stelin, Echo Ranks, Anthony John, Lutan Fyah, Mellow Baku, M Parvez or the two great Montserrat island sensations Jah Marnyah and Ras Iyakayah.
An honor for sure was the 2006 SCOOP 10 inch 13th volume, featuring the first ever full vocal track from the head creator of Iration Steppas, Mark Iration! Named “Struggle”, this is surely one the greatest UK roots anthems!

Always keeping in mind their beloved home city and cultural matters, also worth checking are the 2007 releases 20,21&22, featuring 6 based Leicester city singers, in a way to celebrate the rich diversity of the city, that according to the UK Comission for Racial Equality:
“…by 2011 Leicester will have approximately a 50% ethnic minority population, making it the first city in Britain not to have a white British majority.”

More recently, March 2008, and postponing a desire that was dated in 2004, Vibronics & SCOOPS label, have released their very first 7’’ inch singles, featuring the new top UK roots voice Echo Ranks, and no need for introductions, legendary Macka B.
Like all the other SCOOPS releases, this limited vinyl edition will surely sell out, and become a rarity part of the “Story” that Vibronics helped create: “UK Dub Story”.
Since the very first beginning, Vibronics have aid to provide new definitions to what is so often called The Underground of Underground music culture. In fact, the UK dub scene keeps on going, regardless of the little media exposure that it has. Tradition is a ruling point on this matter, once, fortunately, so many dub addicts all over world & mainly Europe keep on following Jah Shaka, Iration Steppas or Aba-Shanty-I traditions for another earth shaking dub session.
If it´s true that Vibronics were born from this tradition, it´s also true that they keep on pushing it to a next level, and the soon to be released (28th April 2008 ) new album “UK Dub Story”, places Vibronics crew on the vanguard of the future sound of dub.

Throughout the 12 tracks that make this new, UK Dub Story, we can find it all!
UK Dub trademark is, as always, the everlasting presence of the heaviest basslines, so be sure to switch ON the humble BASS option in your player! The spatial echoes, vintage dub sound effects and a warfare like drum display resonate all over the set, creating one of the most clear dub atmospheres from the latest times.
Tracks like Night Storm, with brilliant acoustic guitar arrangements, or the melodic flavored Safe in the Dub are a true appeal to the oldscholl fans; as for World of Dub, Dawn Chorus, Silver&Gold or our top favorite Flying Dub, it will be non-stop skanking for steppas addicts!
The “opener” Fistfull of Dub, brings an experimental tribal approach to Vibronics sounds, and the “closer” Digital Revolution rounds up the full diverse approach that UK Dub Story has to offer.
Alongside the classical uplifting instrumental tracks Tired of the War, Long Time dub and Kings Highway Dub, we are connected with the partial vocal features of Echo Ranks, Macka B & Jah Marnyah (the first two featuring on full style in the mentioned 7 inch releases).

You may not be a fan or expert on Modern Dub music, but if you enjoy Jamaican Reggae, World Music, Drum & Bass or Dubstep, UK Dub Story as surely a new approach to offer you…Just be sure that when you hit play, from the opening, sounding like traditional instrument, Berimbau chords, you will be heading towards the Future Sound of Dub!

(I-Rick deejay @ ZonaReGGae radioshow)

ZonaReGGae Reviews:”Tony Tuff meets Earl 16″[ING version]

April 10, 2008

Tony Tuff meets Earl 16 at the Dubfront Showcase Style2006 Dubfront Outernational

Released in 2006 @ Dubfront Outernational, the title says much of what we can listen at this production stating Revival all over it!
Featuring two legendary names that spread their cultural vibes from the roots golden age, through the dancehall roots origination till the present eclectic productions, this is a classic 6 track LP style (plus a dub remix on the CD version…), bringing back the approach and tradition of the jamaican showcases from the second half of the beloved seventies, that fashioned famous the in-demand extended discomix versions.
Produced and mixed at Oli Dread, Tabackle Dub Chamber in Cologne, Germany, the riddims showcased here travel from adaptations of Jamaican oldscholl reggae style, to original productions featuring the finest, powerful and creative modern dub.

The “Tuff side” display roots dancehall veteran Winston Morris a.k.a. Tony Tuff in great form with his powerful nasal tone, appealing to our inner strength (“Yuh name Weh Yuh Name”); “Praising Jahovia” and flattering the high powers transmitted by the reggae vibes in da dancehall (“Oh What a Fire”).

Over the “Sixteen side”, Earl “16” Daley keeps on showing why his presence is one of the most powerful on the reggae world over the last 3 decades, wid his sweet voice opening our minds to the everlasting conqueror rastaman freedom sounds (“Hail the Rastaman”); praising the companionship of the “Empress” in the rastaman livity, and “Teach(ing) Us of Africa” in another marvelous performance of praises to the Motherland…

As if Earl 16 and Tony Tuff together wouldn´t be enough to make this showcase a unique moment of Jamaican roots & culture message, this modern time meeting is also enlightened by the likes of oldschool veteran deejay Ranking Joe (in a combination with Earl 16 on “Hail the Rastaman”);additional brass arrangements from Zion Train horn sections and Patrix Matix, and an x-tra dub remix of “Oh What a Fire” from dub master Neil Perch, on the CD version, where we can also find the full version of this great Echolab video mix!

A top class dubmix work by Oli Dread, the cultural vibes transmitted by Earl 16 over the track “Teach us of Africa”, and the stomping steppers “Fire Dub RMX” from Perch, are surely the high peaks in this extremely recommended revival independent project, recreating the best that Jamaican music culture teach and offered us, throughout the times.
Whether in the past releases, featuring Junior Murvin, Luciano or Mikey General; the forthcoming works wid Prez. Brown, Prince Allah or Yamie Bolo, or this present “Showcase Style”, Dub Front Outernational are playing the right(eous) track, praising oldscholl finest talent in landmark Revival to da bone productions!

(I-Rick Deejay @ ZonaReGGae radioshow)

ZonaReGGae Reviews:”Medicine Man”

May 18, 2007

Ras Michael Junior…Inna de Yard – Medicine Man 2007 Makasound/Massala Records

As origens musicais do movimento rastafari, que o roots reggae na década de 70 deu a conhecer ao mundo, encontram-se nas raízes africanas da música Nyahbingi, a primeira expressão musical do movimento iniciado nos 30.
Como muita da criação, foi em África, mais concretamente no Uganda, que o Nyahbingi surgiu, na forma de um movimento religioso, espiritual e politico, liderado por mulheres curandeiras que se dizia estarem possuídas pelo espírito Nyahbingi, uma lendária Rainha Amazona. A acção militar contra o imperialismo e colonialismo europeus eram o principal enfoque do Nyahbingi que significava então “Ela que possui muitas coisas”. Curiosamente, na Jamaica, onde o movimento se desenvolveu envolto numa filosofia mais pacífica, Nyahbingi traduziu-se como “Morte a todos os opressores pretos e brancos.”

Foi através do profeta, filósofo e pai fundador do movimento rastafari, Leonard Percival Howell, e das “reuniões” por ele fomentadas entre os seus seguidores, intituladas de grounations, que a música nyahbingi começou a adoptar a sua forma jamaicana.
Ao longo dos anos da sua luta contra o poder estabelecido, Howell criou inúmeras “comunas”, primeiro em St. Thomas e mais tarde nas montanhas jamaicanas (principalmente na famosa Pinnacle)…locais de encontro e fusão de diversas formas de música e cultura Africana e Afro-Europeia como a Kumina, Burru, Myal ou Pocomania.
O estilo Nyahbingi foi introduzido na Jamaica e entre os rastafaris pelo activista no estabelecimento e perpetuação das culturas africanas e rastafari na ilha, Oswald Williams conhecido como Count Ossie.
Tal como Howell, Ossie era um viajante, e foi nas suas jornadas que tomou contacto com o nyahbingi e com as artes de percussão africanas. Depois de aprender a dominar a técnica dos Burru drums, Ossie encomendou um set de tambores característicos das culturas africanas, inexistentes na Jamaica até então (antes de 1953 apenas existiam rumba box’s…), e criou os seus próprios padrões baseados nos burru drums.

 

 

Era o início do seu feito mais importante, dotar o movimento rastafari de um estilo musical. Acabaria mesmo por ser ele, através do produtor Prince Buster, a realizar a primeira gravação de estúdio a incluir o estilo, o hit de 1960 “Oh Carolina” em conjunto com os Folkes Brothers. O single teria sucesso relativo, mas o estilo comercialmente não. No entanto, Count Ossie e o seu grupo The Mystic Revelations of Rastafari continuaram a tocar e a registar em gravação a música nyahbinghi, quer nas grounations, quer em estúdio…Outros se seguiram, como Ras Michael & The Sons of Negus, provavelmente o mais célebre dos binghi drummers, ou mais tarde o conhecido saxofonista Cedric Brooks (também ele um membro dos Mystic Revalations of Rastafari) com o grupo Light of Saba.

 

 

Nos anos 60, as comunas onde aconteciam já habitualmente as grounations, eram mais que referenciadas pelas autoridades como um potencial perigo á ordem, e os rides policiais eram frequentes até que estas por fim, cessaram de existir…
O êxodo de muitos dos rastafaris para os centros e ghettos urbanos de Kingston, levou consigo a tradição cultural e musical nyahbingi, incorporando-a pouco a pouco na indústria musical da ilha.
Por esta altura o R & B, o ska e o rocksteady começavam a fazer movimentar o negócio músical dos estúdios, para além de serem frequentes nos gigs de hotel ou nos soundsystems que começavam a proliferar em cada esquina e rua de Kingston.
No entanto, a vibração e essência originadas pelos primórdios nyahbingi resistiu no seu mais puro formato de “Jam in the Street”, adaptada ao novo cenário citadino dos ghettos, nos pátios e traseiras das “casas” amontoadas nos subúrbios.
A falta de condições e equipamento técnicos, instrumentos ou simplesmente meios para adquirir fosse o que fosse, pareciam não afectar os ghetto sufferers, que continuavam a tocar a cantar a glória e salvação de Jah, dançando ao ritmo e batida do espírito nyahbingi que traria a morte a todos os opressores…A música reggae no seu mais puro e natural estado criativo era construída pelos seus fundadores, muitos esquecidos no tempo, outros “abafados” pela opressão que combatiam, alguns as futuras estrelas da música jamaicana.

Quase 40 anos depois, um desses fundadores, o versátil guitarrista Earl “Chinna” Smith, “emprestou” o seu “Yard” para (re)criar as origens do roots reggae, no conceito apresentado na colecção “Inna de Yard”, pela label francesa Makasound.
Inna de Yard…apresenta as músicas da forma que elas foram criadas… Música acústica, poderosa, intensa e livre, envolta num ambiente de meditação e mística, são denominadores comuns a todas as 7 edições que compõem a já mundialmente reconhecida Inna de Yard series…
Iniciada em 2004, a série Inna de Yard abriu com um registo daquele que é um dos maiores impulsionadores do projecto, Earl “Chinna” Smith. Figura incontornável da música reggae, “Chinna”, também conhecido como Earl Flute (alcunha dada por Keith Hudson), é um dos nomes da música jamaicana que mais fez pela fundação e perpetuação ao longo dos anos dos ritmos do reggae. Desde as suas origens como guitarrista dos Soul Syndicate, passando pelos seus trabalhos com os Wailers ou com Ziggy Marley & The Melody Makers até às colaborações mais contemporâneas com Sizzla e a X-Terminator Crew, Earl “Chinna” tem deixado a sua marca como compositor, autor, interprete, produtor…Os créditos em mais de 500 álbuns, o envolvimento em mais de metade de todos os álbuns que já venceram o Grammy na categoria do reggae ou os seus trabalhos mais expansivos junto de nomes como Lauren Hill, Erykah Badu ou Joss Stone, categorizam o envolvimento de Chinna no mundo da música em geral, e o seu envolvimento nos Inna de Yards parece surgir também da sua enorme paixão pela música acústica em contraposição às tendências electrónicas. Para “Chinna”, quando se acredita que a música que tocamos pode ser o mais natural possível, então será também mais espiritual…

Inna de Yards catalog

Essa acaba mesmo por ser a premissa dos Inna de Yards, desde a estreia em 2004 Earl “Chinna” Smith & Idrens, seguiram-se Linvall Thompson, Kiddus I, Cedric “Congo” Myton, The Viceroys, Ras Michael Jr e para breve Junior Murvin, numa sempre extraordinária mistura de Recriação/Jam, dos grandes temas que marcaram a viagem musical de todos estes fundadores do reggae.
Com as gravações divididas entre o Yard de “Chinna” e de Jah Clive, o habitual recording & mixing enginner dos Inna de YardsJah Youth, Kush McAnuff, Winston McAnuff, Emmanuel I, Ken Bob, Ronnie Davis, Derrick Hinds entre muitos outros, são alguns dos músicos que se juntam Inna de Yards para este revival acústico.

A semelhança de Kiddus I, nome mítico do roots, que lançou com Inna De Yard, o seu primeiro registo de longa duração!, o primeiro lançamento em 2007 da série da Makasound, é também uma estreia, com o filho do já referido Ras Michael, Henry Michael a.k.a. Ras Michael Junior, a mostrar ao mundo as suas influências musicais no formato acústico, com o álbum “Medicine Man”.

Acompanhado pela sua “Jah is My Light Band”, pela guitarra de “Chinna” e ainda pelas vozes em puro Nyahbingi style de Ronnie Davis (vocalista do grupo da era rocksteady The Tennors), Ras Michael Junior é o primeiro a ousar escapar ao formato strictly roots reggae dos Inna de Yard, apresentando-se como um singer/songwriter (o chamado canto autor) na linha tradicional do Blues e do Folk Americano, onde tem sido comparado a nomes como Bob Dylan, Bem Harper ou Tracy Chapman.
A batida Nyahbingi, acaba por ser uma constante ao longo do set, com destaque para os temas de intro e outro, “Voice Unto Jah” e “My Prayer to Jah”, vocalmente interpretadas por Ronnie Davis, o tema de estreia, “Spiritual Order” ou o hino a Jah Rastafari “How Excellent is Thy Name”.

 

 

Medicine Man tracklistAinda assim, são as malhas em formato folk-blues-balada de reggae, que destacam a poderosa e sentida voz de Ras Michael Junior. Quer seja nos louvores á Vida em “Old Man” e “White Line”, nos avisos á Babilónia em “Make More Money” ou na title track “Medicine Man”, Ras Michael entrega-se profundamente à força do canto e lírica Rastafari e à simplicidade da música Folk, para uma muito bem conseguida combinação dos contadores de histórias Africanas, com o sentimento dos clássicos Blues Man americanos aliados ao sofrimento do Roots Man jamaicano.

Pode não ser um registo de roots reggae, e os fãs da série vão certamente reparar no pormenor, mas Medicine Man continua a linha de apresentação da música no modo em que ela foi criada nos Yards jamaicanos…Para Ras Michael Jr., de quem pouco se conhecia até agora, está é também a melhor e muito corajosa forma, para os dias que correm, de marcar o seu estilo musical, com o enfoque Nyahbingi, incontornável pela “presença” do pai Ras Michael, a perpetuar a importância das origens africanas como base da MÚSICA, a batida natural, espiritual, original, ancestral…

“Old Man, Old Man, what is your name?
Seems like you´ve been living for a while…

So they captured him
And put him into a glass house, on top of a hill
So, he break out of the glass house, and ever since
He´s been living from bugs & seeds from the trees

Old Man, Old Man…what is your name?
The name is life…I´ve been living forever…”

Old ManRas Michael Junior

InfoFLASH: Para saberes mais…o catálogo Inna de Yard, está disponível no mercado nacional, desde o ano de 2006, através da Massala Records, onde podes ainda tomar contacto com muitas das reedições e raridades de Roots Reggae lançadas pela Makasound.

ZonaReGGae reviews “Life is a Stage”

May 2, 2007

Mikey DreadLife is a Stage 2007 Dread At The Controls

Em plena década de 70 na Jamaica, o roots reggae era a expressão musical que reflectia os sentimentos do povo. Se nomes como Bob Marley & The Wailers ou Burning Spear assumiam-se como os artistas culturais que começavam a levar esses sentimentos até outras partes do globo, muitos outros desenvolviam e elevavam a indústria musical da ilha a um ponto nunca antes visto…Roots Rockers era o som do “dancehall” e a arte do Toasting criava o elo de ligação entre o soundsystem e o estúdio de gravação.
Apesar deste continuo e prospero crescimento da indústria local, os meios de promoção radiofónicos jamaicanos, prosseguiam com a sua aversão aos talentos locais, continuando a alta e quase exclusiva rotação da musica importada dos Estados Unidos….Quase, apenas porque era dada a oportunidade às editoras e estúdios da ilha de compraram espaço (entendido como publicitário) para divulgaram os lançamentos mais recentes…Opção só ao alcance dos estúdio economicamente rentáveis como o Studio One e o Tresure Isle.

Dread on the mic & Keppin it Right!

Decorria o ano de 1976, quando um praticamente desconhecido selector e engenheiro de som revelou-se e entregou-se à tarefa de mostrar a toda a ilha a era dourada que a música jamaicana experimentava. Michael Campbell, nascido em Port Antonio, em 1954, interessou-se muito cedo pela música reggae, coleccionando vinil e seleccionando os seus discos nos soundsystems locais, enquanto estudou também engenharia electrónica na universidade.
Os seus estudos proporcionaram-lhe a hipótese de trabalhar como engenheiro de transmissão para a maior (das duas…) rádio jamaicanas, a Jamaica Broadcasting Corporation (JBC).
O formato radiofónico na altura, era em tudo semelhante ao praticado em Inglaterra, e rapidamente Michael Campbell apercebeu-se que a rádio não estava a atingir a verdadeira audiência jamaicana que a ouvia, com a programação a basear-se nas referencias Billboard Magazine e Cashbox Magazine….resultado, a música roots não tinha airplay…
Aproveitando o facto da emissão da JBC terminar á meia-noite, Campbell conseguiu persuadir os directores da JBC a deixá-lo tomar o controle nocturno do estúdio para um programa. Pensando que ninguém o iria ouvir, a JBC reservou-lhe espaço nas noites de sábado….Michael Campbell deu então lugar a Mikey DreadThe Dread at The Control – nome com que baptizou as 4 horas do seu programa, onde Mikey Dread aproveitou todo o seu conhecimento musical e a sua imensa colecção, para passar reggae tal como fazia no soundsystem…O sucesso foi imediato, não só pelo facto do Dread at the Control apenas “exibir” musica jamaicana, mas também pela seu estilo de locução único e inovador, bem ao estilo dos toasters dos soundsystems. As suas produções de jingles, gravadas no estúdio de King Tubby (com vozes como as das conhecidas Althea & Donna); a inteligente opção de rodar os temas originais dos riddims do momento no “dancehall”; e a introdução de material novo que muitas vezes tinha sido editado há poucas horas atrás(!), foram só algumas das inovações que levaram The Dreads at The Controls até ao topo dos programas de rádio jamaicanos, culminando com o prémio de Top Radio Personality of the Year em 1977-1978.
Enfurecidos pelo sucesso de Dread e preocupados com a possibilidade do reggae tomar conta do airplay das rádio, a pressão dos tradicionais “apresentadores” de rádio não se fez esperar…Apesar da figura de culto de Mikey Dread, e de ser o detentor da maior audiência da JBC, os directores pressionaram-no para passar menos roots…Em 1979, Mikey Dread deixou a JBC…apenas para começar uma das mais impressionantes carreiras do mundo da música jamaicana.

                           

Ainda na JBC, e através dos produtores Lee Perry, Sonia Pottinger e Mighty Two, Mikey Dread já havia entrado em estúdio para a gravação de temas como “Dread at The Control”, “Homeguard” ou “Rootsman Revival”. O seu álbum de estreia em 1978 “Dread at The Controls” e a versão álbum do seu programa “African Anthem dubwise”, no mesmo ano, revelavam já as amplas capacidades de Mikey Dread.
Depois de uma curta passagem como engenheiro de som no Treasure Isle, o conhecido produtor Carlton Patterson for a parceria seguinte, com quem produziu em conjunto o hit “Weatherman Skank” do deejay Ray I.
Seguiram-se o lançamento da sua label Dread at the Controls(DATC), onde lançou os referidos álbuns de estreia “Dread at the Controls” e “African Anthem dubwise”, e a produção de nomes da emergente cena roots dancehall como Sugar Minnot, Junior Murvin, Earl Sixteen ou Wally Bucker.

 

Mikey Dread backed by UB40@UK (1983)

Como muitos outros nomes da música jamaicana, o início dos anos 80 também levou Mikey Dread até ao Reino Unido, com o propósito de promover os seus álbuns de estreia.
Este foi o início de uma internacionalização que elevaria Mikey Dread ao estatuto de um dos mais influentes promotores e performers da música reggae. As suas colaborações com o grupo de punk-rock do momento The Clash ( que culminou com o featuring de temas e produções suas no álbum Sandinista!), levou ao convite dos UB40 para uma tour (bem como aos mixes no lado B dos hits “Red Red Wine” e “Cherry Oh Baby”).
Em Inglaterra a sua graduação com alta recomendação na National Broadcasting School of London, permitiu-lhe aperfeiçoar as suas habilidades como radialista e produtor, chamando a atenção de inúmeros canais de televisão e estações de rádio.

Desde a narração e produção de documentários de reggae e cultura africana; a apresentação de séries de televisão como o “Rockers Roadshow” ou o documentário “Deep Roots Music”; consultor de reggae, fotografo e editor de noticias; até aos inúmeros programas de rádio no Reino Unido, Holanda, Austrália, Estados Unidos da América…Mikey Dread fez de tudo um pouco ao longo dos anos 80 e 90 (mesmo de tudo…inclusive uma apresentação do concurso Miss Black UK em Birmingham!), continuando a gravar inúmeros álbuns como os aclamados “World War III” (1980,DATC), “Pave The Way” (1982 Heartbeat), “Profile” (1991,RAS) ou “Rasta in Control” (2002,DATC).
Os palcos são outro dos fortes de Mikey Dread, com anos de experiência acumulada, quer com nomes de um universo mais amplo como UB40, Bob Dylan, Carlos Santana, ou nomes do reggae como Ziggy Marley, Bunny Wailer, Culture, Abyssinians, Judy Mowatt, Freedie McGregor, I -Threes…A banda “Fully Fullwood”, colectivo de antigos músicos de Peter Tosh, como Tony Chin ou George Fullwood, foi uma das suas bandas de tour, cargo actualmente entregue à sua própria…”Dread at The Controls band”, com a qual nos últimos anos tem percorrido palcos desde os Estados Unidos (onde reside actualmente), Canada, Europa até ao México e Argentina…

 

Mikey Dread live@Martha’s Vineyard (2006)

Em Fevereiro de 2007, e bem perto de completar 30 anos dedicados ao mundo da comunicação e do entretenimento, Mikey Dread apresentou no “Rock and Rock Hall of Fame” em Cleveland, mais um marco da sua multifacetada carreira,- “Life is a Stage”- o 22º lançamento oficial do outrora solitário e anónimo engenheiro de rádio Michael Campbell.

Life is a Stage

Gravado no estúdio jamaicano Anchor Studio(considerado o Rolls Royce dos estúdios…)e mixado no Tuff Gong Studio, a primeira impressão positiva em Life is a Stage, é a clara demonstração do amplo conhecimento que Mikey Dread possui da música reggae. À semelhança dos lançamentos recentes de nomes fundadores do roots, como Burning Spear, Max Romeo, Culture….Life is a Stage demonstra que Mikey Dread também sabe adaptar a essência dos som original jamaicano às novas tendências contemporâneas, mantendo toda a filosofia das raízes e cultura de há 30 anos atrás.
Para a criação desse som, Mikey Dread, reuniu em estúdio um conjunto de músicos, que são por direito próprio os pilares fundadores da música reggae, muitos deles, os mesmos que criaram com Mikey Dread em 1980 o seu aclamado álbum World War III.
Assim os lendários Sly Dunbar, “Flabba” Holt, Lincoln “Style” Scott, Sticky Thompson ou Felix “Deadley” Headley, voltaram, alguns décadas depois das últimas colaborações, a reunir esforços com Mikey Dread, originando uma genial interpretação moderna dos sons do final dos anos 70, inicio dos 80.
A Deadley Headley na secção de sopros, juntam-se Everton e Evral Gayle e Johnny “Dizzy” Moore, para a recriação em estúdio daquilo que têm sido o live show dos últimos tempos de Mikey Dread com a sua Dread at the Controls band.
A completar este line up de AllStars, nomes como Glen Brown ou Fully Fullwood nos baixos, os guitarristas Tony Chin ou Robbie Lynn e também Frankly “Bubller” ou Lloyd “Obeah” Denton nas teclas, encabeçam a lista de colaborações, que apresentam ainda em quase todas as 15 malhas do trabalho os back vocals femininos de “Brady” Ellendre Walters, Chantelle Ernandez, em harmonias muito bem conseguidas,a acompanhar a peculiar voz de Mikey Dread.

Life is a Stage AllStars

A sua entrega vocal natural, relaxada e repleta de sentimento continua intacta e completamente adaptada a esta versão mais contemporânea do roots. Ao logo de Life is a Stage, o seu estilo alegre, positivo e reconfortante não só é perfeito para garantir que ainda acredita e aprecia sua música reggae, mas principalmente para transmitir o grande forte do álbum, a profundidade lírica e temática apresentada.
Os louvores a Jah e á sua maior criação, a Vida, introduzem o álbum nos temas “Praise Jah Jah” e a title track “Life is a Stage”, seguidos pelo seu hino ao vivo, “Pound a Weed”(um remake do clássico “Have you Ever” de Dennis Brown), são a melhor intro que Life is a Stage poderia ter, elucidando o ouvinte para a qualidade musical e lírica ao longo do set.
A preocupação de Mikey Dread com questões sociais actuais, fica também bem clara na sua visão pessoal de temas como a reprodução celular ou a clonagem em “Stem Cells” e “Barcoding”…

Life is a Stage tracklist 

A sua obsessão durante os anos 90, o lovers rock, está também presente nos temas “I´m not the Kind” e “Dread next Door”…Africa e as raízes ancestrais tantas vezes mencionadas na música jamaicana são revisitadas em “Passing Through” e “Point of View”, e á medida que Life is a Stage roda, fica bem claro que Mikey Dread tem tanto ou mais a ensinar, que a maioria dos novos talentos da música jamaicana, na sua música.
Apesar de, há muito tempo para cá, Mikey Dread ter deixado um pouco de lado o seu estilo deejay, em destaque e no ouvido fica a mais imaginativa malha de Life is a Stage, “Soundbwoy Special”, um rub-a-dub special, dedicado a todos aqueles que elevam a música roots nos soundsystems, e também um avanço sonoro, daquilo que será o próximo álbum dubwise de Mikey Dread (com a inclusão de alguns dos jingles que tornaram o seu Dread at The Controls famoso!)

                     

Muitos dirão que com Life is a Stage, Mikey Dread está de volta…mas a verdade é que o original Reggae radio DJ nunca foi a lado nenhum, apenas soube ao longo dos tempos, não saturar o mercado com lançamentos ou aparições em todo e qualquer evento de reggae, preferindo alargar os horizontes e trabalhar em diversas áreas do mundo da música, entretenimento e comunicação. Se os seus dubs e riddims ajudaram a definir uma era sonora do reggae e o levaram até várias partes do globo, o seu estatuto de inovador da rádio, influenciou muitos formatos radiofónicos nos últimos 30 anos…No entanto nada melhor que o original, e expandindo cada vez mais a sua crença numa abordagem multimédia para publicitar o reggae, as Dubwise Selection Without Objection estão de volta, com o Dread At The Control em formato podcast, através do seu imaginativo website www.mikeydread.com

The Dread at the Controls podcast

Entre os extremos de, incompreendido por muitos dos conservadores do mundo da música , e aplaudido por outros tantos que comparam os seus padrões lunáticos na cabine de mixagem aos de Lee PerryMikey Dread, desde cedo fez questão de marcar a sua posição, quer através dos seus bizarros e inventivos mixes na rádio, ou dos seus avisos nas capas dos primeiros lançamentos: ”Dread at the Controls records are not for night clubs displaying signs saying ‘No Hat-No Tams’…by order,Mikey Dread”
Para o descrever na sua plenitude original e exorbitante ninguém melhor que o Weatherman Skank para dar a resposta à pergunta de…

“…Who´s the greatest footballer in the all wide world….there is no other answer to it than the man called Pelé…
…Who´s the greatest boxer in the all wide world…there´s no other answer to it than the man Moahmed Ali…
….Who´s the greatest operator in the all wide world….there´s no other answer to it than theman called Michael Campbell…Dread at the Control!”

Ray I

             

ZonaReGGae reviews “Many Moods of…Alton Ellis”

April 13, 2007

Alton Ellis - Many Moods of…2006 Makasound/ Masssala Records

A independência jamaicana a 5 de Agosto de 1962, foi um momento fundamental para a definição do percurso musical em que os jamaicanos viriam a enveredar. A relativa prosperidade económica da ilha gerou um vaga de optimismo nos ghettos jamaicanos que atingiu a expressão máxima com o hastear da “nova” bandeira jamaicana, símbolo dessa mesma prosperidade, das raízes culturais e do eterno passado recente. O ska, foi a outra expressão, evolução embrionária do US made boggie jamaicano, ska era algo entendido como exclusivamente jamaicano, musicalmente ideal para a orgulhosa e emergente nação, finalmente livre do colonialismo…

A música acompanhava a alta moral, e evoluía a um ritmo impressionante, com os principais estúdios e respectivos produtores a proporcionarem um enorme crescimento da indústria de gravação e lançamento de novos artistas…o mesmo já não se pode afirmar da economia do novo país, que um par de anos após a independência decaiu…A fuga dos investidores britânicos, a brutal exploração dos recursos por parte dos norte-americanos, a decadência da exploração e mercado agrícola, tudo resultados do incumprimento das promessas feitas pelos políticos da independência.
A fuga para os centros urbanos, cliché da existência humana, aumentou o desemprego, gerou ondas de violência ao bom estilo rudeboy jamaicano e sobrepovoou os ghettos, por esta altura, bem piores do que quando submetidos ao poder colonial britânico.
Tudo parecia o mesmo e paralelamente em mutação…os soundsystems, como sempre desde as fundações uma década antes, permaneceram o ponto central das comunidades (desfavorecidas…). Qualquer que fosse o cenário, os soundsystems garantiam que a música jamaicana fosse feita em resposta ás exigências dos seus “clientes”…A exuberante batida do ska, parecia já não se enquadrar no fracasso pós-independencia, e os deejays estavam prontos para introduzir o mais lento, tenso e dançável Rocksteady.
Menos sopros e um bass driven riddim, eram o ênfase musical da rocksteady vibe, que é hoje vista por muitos como a tradução artística da frustração sentida pelos jovens dos ghettos…não fossem muitos deles, os próprios artistas que começavam a mostrar o seu talento através do novo estilo.
De entre os muitos da zona de West Kingston, surgiu o detentor da mais aclamada voz da era rocksteady – Alton Ellis – voz suave, doce e emotiva, representativa do melhor do soul, que tanto influenciara os primórdios deste novo ruling sound.

Alton Ellis

Baptizado Alton Neamiah Ellis em Kingston (1944), a formação de canto e piano logo desde pequeno, levaram-no a entrar na “profissão” aos 14 anos de idade, aquando do convite de Eddie Perkins para formar o duo Alton & Eddie. O single de estreia “Muriel”, gravado em 1959, foi um hit da cena R&B jamaicana. Gravado no mais antigo estúdio de gravação da ilha – Federal Records Studio“Muriel” proporcionou a Ellis e Perkins um lugar nas fundações da história da musica jamaicana, uma vez que foi uma das primeiras gravações comerciais na Jamaica (conduzida por Coxsone Dood), numa época em que o processo de captação das gravação era todo realizado através de um só microfone, e como o próprio Ellis recorda em “Rough Guide to Reggae” tudo feito numa
 “…one track studio, an’ when they count 1-2-3-4, everybody have to be there. Who is not there, the train is gone! One mike standin’ in the middle of us, everything going’ through the same mike. The vocalist would get closest to the mike, an’ everybody a lickle bit closer an’ closer accordin’ to the volume of what he’s playin’. The engineer, he was mixing at the time(…)when he say ‘GO’…that´s it.One take, no comin’ back.That´s it.”(p.21)
 E era isso, e muito mais…era o inicio de toda uma nova era musical, e quando Perkins partiu, pouco tempo depois, para uma carreira a solo nos Estados Unidos, Alton Ellis continuo sozinho e na linha da frente dos vocalistas do dominador Studio One, durante o inicio dos sixties.
As dificuldades financeiras, levaram Ellis a tentar um outro estúdio, em 1965, o Treasure Isle de Duke Reid, onde se formou o trio vocal The Flames (mais tarde os Righteous Flames de lead singers como Lloyd Charmers e Winston Jarret), que viria a ser o seu backup vocal para os hits que o afirmaram como o “Mr Soul” a voz do Rocksteady.

 

“Girl I´ve fot a Date”(1966) foi o grande hit, que colocou Duke Reid no comando da música pós-ska, ultrapassando o domínio de Coxsone Dood pela primeira vez. O sucesso nos soundsystems foi imediato e longínquo como nenhum outro som até à altura. “Cry Tough”, “Dance Crashers”, “Harder and Harder” e “Blackman Pride” foram os singles que consolidaram o estatuto e estrelato de Alton Ellis e revelaram a sua pioneira faceta social anti-rudeboys. Esse grande ano de ’66, ficou também marcado pela inscrição do seu nome nas referencias históricas da música reggae, com o single “Get Ready Rocksteady”, o primeiro uso do termo…Foi também dessa gravação de estúdio que surgiu a nova batida do Rocksteady, fruto do teclista Jackie Mitto, ter substituído a falta do baixista contratado para a sessão. Mitto ao não ter conseguido acompanhar a frenética batida do ska, sugeriu a desaceleração do tempo…a voz de Ellis adaptou-se que nem uma luva à nova batida, que num ápice tomou conta do som jamaicano.

 

Perto do final dos 60Ts, o LP “Mr Soul of Jamaica” foi o marco definitivo da era Rocksteady, álbum que Ellis lançou para Duke Reid, numa altura em que oscilava as suas gravações entre os arqui-rivais Tresure Isle e Studio One, tal era a sua reputação!
Ken Boothe, Jonh Holt ou Pat Kelly, eram os nomes que acompanhavam Ellis no aproximar de mais uma mudança musical para o early reggae, e finalmente para a roots rasta age.
As covers de soul e o Lover Rock eram outros dos “formatos” favoritos de Ellis que gravou ainda alguns singles acompanhado pela irmã Hortense Ellis, e à medida que o novo “reggae” tomava conta dos estúdios de gravação, Ellis começou a gravar para novos produtores como Lloyd Dalley e Keith Hudson, este último a revelar algumas mensagens rastafari em Ellis como os singles “Lord Deliver Us” e “Back to Africa”.
Os sons mudavam, mas a difícil vida de músico não, e Ellis, desiludido com a inexistente compensação pelo seu sucesso, viajou para os Estado Unidos, Canada e por fim Inglaterra, onde tinha atingido sucesso aquando da sua tour com os Soul Vendors no final dos anos 60…
Por terras britânicas, fundou a sua label Altone Records; tornou-se num dos nomes fundadores do Lover Rock british style (o reggae pop dos dias actuais) e ganhou um maior entendimento do asfixiante negócio musical e da exploração que era feita na Jamaica….Talvez por isso, o retorno à terra natal e as gravações na ilha tenham sido esporádicas, preferindo as reedições e compilações dos seus clássicos através da sua label.

          Makasound.com             

Na mesma linha da Altone Records, desde os anos 80, tem surgido inúmeras labels, dedicadas a prestar tributo às estrelas que os meios de comunicação e “promotores” do passado falharam em reconhecer…As labels de reissues dos nossos tempos não podiam esquecer a mais respeitada voz jamaicana (antes de Bob Marley…), e o mais recente tributo a Ellis foi prestado pela editora francesa Makasound.
Com um catálogo dedicado a sons franceses contemporâneos, edições revivalistas dos fundadores do roots reggae e às grandes “pérolas” esquecidas no tempo, a Makasound divide-se entre a Black Eye, MakaFresh e Inna de Yard, para trazer até aos nossos dias os sons de roots reggae picantes, pontiagudos e espinhosos, resumindo os álbuns que fazem mal às actuais tendências musicais…Maka, no patois jamaicano, significa isso mesmo, espinhoso e picante…Quer já tenham sido lançados, ou não, a Makasound introdu-los no mercado, tentando “libertar” os álbuns esquecidos no labirinto da música jamaicana…universo ao qual a label pretende devolver a honra que lhe é devida!
 Em Portugal, a Massala Records aliou-se a esta filosofia, representado esta editora, ainda escassa em reconhecimento, bem como toda uma série de outras empenhadas em promover música do mundo e independente, que os meios de massas querem fazer querer que não interessam a ninguém…
Um que deve interessar, pelo menos aos amantes da história musical jamaicana, é Many Moods of Alton Ellis…

Many Moods of Alton Ellis

Originalmente lançado em 1980 pela Tele Tech, Many moods of… centra-se em gravações realizadas por Joe Gibbs no Treasure Isle entre os anos de 1972 e 1983. As 17 malhas do cd, reeditam o original LP de 1980, com 7 bónus track, numa esplendorosa mistura de lovers rock e roots reggae.
Apesar disso, a vibe soul dos tempos rocksteady de Alton Ellis é um primor, constante ao longo de todo o set, principalmente nos temas roots&culture, “Rise and Fall”, “No man is Perfect” ou “The Humble Will Stumble”…temas que para além de demonstrarem a adaptação de Ellis ao roots, contam ainda com os backing vocals dos Heptones!
O rol de participações de luxo no álbum prosseguem, logo á partida com a partilha da mesa de mistura entre Prince Jammy, Scientist e Lee Perry, que “empresta” a sua Black Ark vibe na extraordinária “The Children are Crying”.
Entre as bónus tracks, a versão do tema de Hugh Mundell para Augustus Pablo “Blackmans foundation”, aqui apelidada de “Black on Black”, o rework do single para Duke Reid “If I Could Rule the World” ou as duas versões de “Stronger” a fechar o álbum, são razões mais do suficientes para nos questionar-nos acerca de qual a razão porque Alton Ellis não vingou na era dourada do roots reggae…
Os “gigantes” Jonhny Clarke (backing vocals), Bongo Herman (percussões), Bobby Ellis (trompete),Vin Gordon (trombone), Ansell Collins (teclas), Carlton Davis e Sly Dunbar (bateria) ou os míticos vocals/bass players Lloyd Parks e Leroy Sibbles….entre um fascinante alinhamento de estrelas jamaicanas, asseguram a qualidade musical deste Many Moods…de roots, rockers, lovers rock, rocksteady, dub…sonoramente muito potente, historicamente elucidativo, culturalmente inspirador…

A opção de “migrar” para Inglaterra, o crescimento do roots reggae e a popularidade global de Bob Marley, ofuscaram por certo o legado de Alton Ellis, e os seus áureos tempos da fundação do Rocksteady, não só foram esquecidos, como nunca se voltaram a repetir…Olhando para o passado, Ellis simboliza a história de muitos vocalistas jamaicanos: um começo ainda adolescente; uma popularidade massiva mas temporalmente limitada; e um declínio gradual, que só nos dias de hoje é ultrapassado pelo reconhecimento de Ellis como um dos Pais Fundadores da Música Jamaicana, finalmente referenciado como a principal voz soul da ilha…
Perto de 50 anos de uma carreira ímpar, confirmada pelas legiões de fãs que seguem em palcos norte-americanos e europeus o “Mr Soul of Jamaica”!

ZonaReGGae reviews “Singerman”

April 13, 2007

V.A. – Blood & Fire AllStarsSingerman 2007 Blood&Fire/Musica Activa

Quer seja vista como uma label dedicada à promoção do dub jamaicano pelo público/media generalistas, ou como um dos bons recursos para encontrar alguma da melhor música jamaicana dos anos 70 e 80 pelos roots addicts, na sua essência a Blood & Fire é certamente uma equipa especializada na reedição de álbuns e temas que farão parte da história do reggae para todo o sempre.
Fundada (e localizada) em Londres em 1993, Steve Barrow é o “cérebro” criador da Blood&Fire. Conhecido pelos seus inspiradores trabalhos como historiador, critico, produtor e facilitador de música reggae, foi mesmo neste campo que Barrow começou o seu trabalho, abrindo as lojas “Old Change Records” e depois “Honest John”, onde vendia música Jazz, Funk, Punk…a nomes como John Peel!

Depois de trabalhar como promotor, reviewer e “compilador” para a Island e para a Trojan Records, Barrow decidiu que era altura de fazer o trabalho da maneira correcta, e juntamente com Bob Harding, Andy Dood, Elliot Rashman e o conhecido artista Simply Red e sua equipa de promoção, criaram a Blood & Fire, com o propósito de oferecer ao mundo da música grandes títulos do roots reggae, elevando sua categoria de reedição, ao patamar que os reissues de Jazz ou Blues já haviam há muito atingido…
Desde então, e do lançamento “The Dreads at King Tubby’s – If Deejay Was your Trade” (Barrow é aliás um confesso admirador da arte e da importância do Deejay jamaicano…), foram já 48 as reedições oferecidas pela Blood & Fire, entre elas algumas pérolas que figuram entre as melhores produções de sempre como “The Congos -Heart of the Congos-”; King Tubby & Friends -Dub Gonne Crazy-”, Willie Williams – Messenger Man-” ou “Prince Fari – Silver & Gold-”.

Ao longo dos anos, e de tempos a tempos, surgem ocasionalmente os habituais (em editoras de reissues…) samplers. Escolhas de Barrow, retiradas das anteriores edições da Blood & Fire, compilando assim temas que representam o melhor que a label deu a ouvir ao longo dos anos, e ocasionalmente com algumas raridades ou 12”mixes nunca editados. São grandes exemplos desta iniciativa as colecções “HeavyWeight – A Blood & Fire sampler” ou “Dubwise & Otherwise”.

        

O mais recente desses samplers “Blood & Fire AllStars – Singerman” (lançado em Abril 2007, e disponível no nosso País partir de 16 Abril pela Música Activa) apresenta um novo conceito, reunindo 18 temas que enfatizam algumas das melhores vozes jamaicanas do passado, os verdadeiros singers, do soul, roots, rasta, roots dancehall….
Os 18 álbuns dos quais foram retiradas as malhas, são também alguns dos melhores lançados pela Blood & Fire, servindo Singerman também como uma homenagem às vozes que tornaram a label conhecida pelo mundo.

A tracklist fala por si, e para o amante do roots, a tarefa de destacar é árdua…Desde a malha de abertura do rude boy Max Romeu, o recut “Fire Fi Di Vatican” (do original gravado para Lee Perry em 1976 “War inna Babylon”), passando pelas harmonias em rockers style dos The Chantells e os seus praises em “Children of Jah”, ao ghetto chant do “renascido” Sylford Walker “Chant Down Babylon”, são muitas as “estrelas” reconhecidas e eleitas como AllStars pela Blood & Fire!

Johnny Clarke, relembra-nos os tempos em que o dancehall era verdadeiramente cantado com o épico “Every Knee Shall Bow”; Willi Williams apresenta uma das suas mais sentidas interpretações “Give Jah Praise”; Cornell Campbell distingue-se com o seu oscilante tenor/falsetto style na incisiva rough tough “Bandulu”…

Três interessantes particularidades em “Singerman” são as tracks “Rent Man”, dos Black Uhuru; “Fight it to the Top” (Michael Prophet) e Errol Holt com uma rasta version “Yes, Yes, Yes” do famoso tema de Dawn Peen “No, No, No”…três escolhas tiradas de anteriores compilações da Blood & Fire, dedicadas a temas e produções dos “toasters” Ranking Joe, Trinity e Prince Far I, respectivamente.

          
Os clássicos de Dennis Brown (“Man Next Door”), Horace Andy (“Problems”), The Congos (“At the Feast”), ou “Jah Jah The Conqueror”, de Linval Thompson são outras das tracks a rodar…e a rodar…

  

O nome AllStars, não se limita aos Singerman(‘s), e omitindo aqui os players of instruments, as cabines de produção destes temas, apresentam os renomeados, Bunny Lee, Dennis Brown, Tappa Zukie, Glen Brown, Vivian Jackson, Lee Perry, Roy Francis…entre outros e algumas self productions, uma opção, também ela clássica, da época musical em questão.

Mais que uma colectânea ou que um tributo, “Singerman” é uma parte da história, do roots jamaicano, e da Blood & Fire. E se para o coleccionador, não se apresenta como um titulo crucial e indispensável, para todos aqueles que ainda se interrogam de onde vêem as influências dos chanters e singjays da moderna cena dancehall/new roots, este é um bom começo para tomar consciência da vibe original do cantor de reggae…aquele que acima de tudo viveu e experimentou a simbologia evocada pelo Blood and Fire de Niney The Observer, produção inspiradora para o nome da label londrina, que nas palavras de Dave Barrow são…

“…words that evoke that music…there’s blood and fire in that music and that’s we want to evoke(…) It´s music very spiritual that come from poor people, but the fact is that poor people knows how to live better than rich people. That’s why rich people are so sick (…)
This is the truth from people who lives this life, who lives in conditions wich most people in modern urban metropolitan environment wouldn’t tolerate for a minute, so this people goes for a lot of tribulations and from then comes a very essentialized music, very esssentialized thoughts and that enables you to survive in that situation, like Bob Marley said: One Good thing about music, when it hits you, feel on pain…”

Entrevista ao website Italian Reggae Vibes, disponível @ niceup.com/interviews/steve_barrow

ZonaReGGae Reviews “Dub Showcase”

March 14, 2007

Abassi AllStarsDub Showcase 2007 Universal Egg

AbassiAllStars

Com as suas fundações bem assentes no universo musical jamaicano, a música dub pode ser considerada na actualidade um dos mais ecléticos estilos musicais, tanto pelo derivação da sua essência para qualquer estilo, como pela abertura ao experimentalista e tradicional mistura de estúdio.
Esta evolução do dub, muito deve à sua “importação” nos anos 80 para o Reino Unido e consequente expansão à Europa e Mundo nas décadas seguintes.
Desde os anos 80 que o Reino Unido se tem afirmado como o novo centro de produção de Dub, com os percussores Mad Professor & Jah Shaka a abriram o caminho para uma serie de produtores ,DJs, soundsystems e estúdios, adeptos do formato steepas, e que mantiveram a tradição passando-a a novas gerações que, incorporando no som derivações como o drum n bass, jungle, techno, dubstep….perpetuaram a diversidade e originalidade do estilo até aos dias presentes.

No intermédio do gap temporal em questão, e do maior centro de produção de musica electrónica dos 9Ts, Londres, surgiu um dos maiores produtores do actual cenário dub internacional, Neil Perch. Produtor, baixista e fundador da conhecida banda Zion Train. Formados em 1991, os Zion Train contam com 9 álbuns de originais(com o próximo “Live as One” agendado para Setembro de 2007) e são aclamados como os pioneiros da Dub/Dance music.
Para além de ser o “cérebro” dos Zion Train, Neil Perch têm ao longo dos anos construído uma vasta linha de projectos e colaborações no estúdio dos Zion Train em Colónia, de onde saem algumas das melhores produções de riddims e remixes, em constante rotação pelos inúmeros soundsystems e colectivos de dub ao vivo, britânicos e Europeus.
Para melhor concretizar este objectivo de espalhar as suas vibez pela cultura soundsystem, Perch criou a label Deep Roots, sob o lema “DubWise No Compromise”, onde predominam as edições em vinil, com uma produção intencional e direccionada para o Soundsytem Style…

                     

Paralelamente à Deep Roots, Perch fundou também a Universal Egg, que se lança no mercado dos CD´s e mp3, para além do vinil, e que para além do sempre presente, Dub/Reggae abrange a produção de outros estilos mais electrónicos (sendo para tal um grande exemplo o lançamento do álbum de estreia do colectivo croata, Radikal Dub Kolektiv “Bass Matters”,2006)

Muitos destes projectos, produções e colaborações estão presentes na “casa” online do Dub de Neil Perch WobblyWeb.com….Onde entre muita informação, podemos ainda aceder a downloads gratuitos de videos e mp3, ou ouvir a Deep Roots Radio, 24 horas do melhor roots & dub, seleccionado e apresentado por Neil Perch e Stevie Vibronics (mentor do colectivo de Leicester City, The Vibronics)

Ao longo dos últimos anos a, Neil Perch no Zion Train recording studio, juntaram-se uma série de músicos e vocalistas, com o objectivo de manter uma linha de produção musical a dar a conhecer através das suas labels. Assim os membros da secção de sopros dos Zion Train, Dake Hake(trompete) e Bigga (Trombone) e os vocals jamaicanos Fitta Warri, Earl 16, Luciano, Bennie Man, e Omar Perry, os britânicos Dubdadda, Kenny Knots, Empress Rasheda e Tippa Irie e ainda Sis Sanea (Japão), Junior Kigwa (Rwanda), Daddy Roots(Anguilla) e Lua(Alemanha), todos gravaram riddims desde 2004, originando o actual projecto de maior projecção de Perch ,os Abassi AllStars.

Com diversas actuações ao vivo, através do Abassi Hi Power (soundsystem construído de raíz, à boa maneira do oldschool jamaicano, por Neil Perch), os Abassi AllStars fomentam uma Live act/Studio connection, que perpetua toda a cultura dubwise do Reino Unido, projectando-a para um novo milénio universal, através dos diferentes estilos vocais das inúmeros singers,Singjays, MC´s e chanters convidados, provenientes dos mais variados pontos do planeta.

A ascensão e aceitação do projecto, levou ao lançamento em Setembro de 2006, do álbum de estreia “Showcase”, compilação dos 10” & 7” singles, que conta com 7 dos riddims lançados através da Deep Roots entre os anos de 2004-2006. Fitta Warri(x4), Junior Kigwa(x3) , Kenny Knots(x2), Sis Sanea(x2), Luciano, Earl 16 e Dubdadda vocalizam, nos seus particulares estilos, as 14 malhas de “Showcase”, que conta ainda com uma “estreia visual” para a Universal Egg, um video remix produzido pela equipa Echolab VJ(responsáveis pela artwork dos lançamentos), onde é possível ver toda a crew dos Abassi em acção…

Março de 2007, assiste ao lançamento da “óbvia” versão dub “Abassi AllStars Dub Showcase”. Óbvia pela tradição, óbvia pela cultura, e acima de tudo pela qualidade instrumental demonstrada pelos Abassi AllStars.
E se em “Dub Showcase” as vozes do anterior “Showcase” surgem a tempos, remixadas e “reverbazidas”, a mestria de mistura digital/electrónica cobre plenamente, a óbvia falta da “vibração” que a mensagem sempre transmite.

O primeiro aspecto que sobressaí da música de Dub Showcase é que, apesar do prévio lançamento em single, de muitos dos temas presentes, todos eles parecem ter sido alvo de um construtivo trabalho de remistura, umas vezes mais óbvio do que outras, mas que lhe garante a originalidade de um álbum de versões dub de riddims (em lugar das “facies” e habituais colecções de riddims que inundam o mercado…) 

 

         

“Prophecy”, “Cross the Dub”, “Crisis”, “Dub of Connection” e “Free Jah Dub” são os temas que os ouvintes do anterior “Showcase” reconhecerão no novo lançamento, ao lado dos “famosos” “Favi Rock”, “Edutainment” e “World Peace”, singles de maior sucesso dos últimos tempos da Deep Roots, bem conhecidos da cultura soundsystem portuguesa.
De entre os riddims “desconhecidos”, sobressaem as rootical “Heavy Load”, Vision Plant” ou Chant Down Babylon”; a oriental style “Cities” ou as potentes dub/dance steppas “Black Red Dub”, “Message of Hope” e “No Answer”…

 

Isto apenas para destacar alguns temas, num set que merece destaque na sua plenitude, acima de tudo pelos fenómenais temas arranjados para os sopros protagonizados por Bigga(trombone), David Fullwood(trompete) , complementados pelas melódicas de Sir Larsie I , Sista Sanea e Richard Doswell, que completa a “secção” com flauta e saxofone.
Anne no violino, Paolo Polcari nas teclas, e as guitarras de Paul Morris e Miles Humbaraci, completam os AllStars convidados por Neil Perch, que toca os “baixos”, bateria e percussões, para além de escrever(a meias com David Fulwood), gravar, masterizar, mixar…e enfim produzir na totalidade este “Dub Showcase”.

 Um autêntico show de dubwise ao longo de 16 riddims, que contam com uma invulgar diversidade instrumental para um álbum de dub; técnicas de mistura, paralelamente inovadoras e reminiscentes dos clássicos álbuns nos anos 90 produzidos pelos veteranos Sound Iration.
Com “Dub Showcase”, Neil Perch põe em prática a liberdade criativa que lhe permite criar música como ele mais gosta… Just Dubwise No Compromise….

Para saberes mais acerca de Neil Perch e de todos os seus projectos, a ZonaReGGae aproveita para recomendar a curta, mas reveladora entrevista, proporcinada ao portal nacional portaldoreggae.com

ZonaReGGae Reviews “Suns of Atom”

March 11, 2007

Midnite & Lion TribeSuns of Atom 2007 Fifth Son Records

A qualidade, imaginação e diversidade musical que envolve a já extensa discografia dos “Cruzians” Midnite, faz deste inovador colectivo um dos que se afirmam na vanguarda do roots revival…A sua revigorante e verdadeira abordagem à música roots faz-nos mesmo pensar o que mais precisam os Midnite de (re)criar, para verem o seu talento reconhecido no vasto universo da música reggae.
Vaughn Benjamin e os seus companheiros, por certo alheios e desinteressados desse pormenor, continuam a sua jornada, explorando e reinventando com o propósito de espalhar a mensagem, tal como o fazem já há mais de 15 anos, quer seja através do original Midnite; por via das colaborações com a I Grade crew, ou pelos caminhos psicadélicos do “ramo” Midnite Branch I.
Com um entendimento superior dos caminhos a seguir, nos últimos anos, as colaborações tem-se expandido a uma série de projectos desconhecidos do público maior, mas que parecem ter uma linha criativa que mostra que o movimento do roots revivalista/experimentalista não se limita aos Midnite ou às Ilhas Virgens….e expande-se até os “vizinhos” Estados Unidos
A última dessas colaborações, onde o roots se perde para se encontrar na fusão de estilos, aconteceu em Taos, no estado do New México, “base” dos Lion Tribe e da Fifth Son Records.

          FifthSonRecords.com            LionTribe@myspace.com

Imersos em montanhas, rios, deserto e uma vibração mística a Fifth Son crew absorve o envolvente triunvirato de culturas e ponto de encontro de espíritos onde habitam, com uma simples “equação”: Roots people = Roots music…Aproveitam tal, para um transe criativo onde a missão é florescer e fundar música de espírito e cultura, abraçando uma série de campos sonoros bem representativos dessa união espiritual, como o Pueblo Hip Hop, Desert roots, Roots Reggae, Bhajan indiano ou as fusões Afro-Cubanos!
Praticamente sinónimos com a Fifth Sun Records, os Lion Tribe abordam o Roots Reggae com uma fluidez tão livre como o ar das montanhas Sangre de Cristo que os inspira….Formados em 2006, e com dois registos lançados no mesmo ano, “Live at the Golden West” e “Botanical Consciousness”, os palcos partilhados com Burning Spear, Dezarie ou Anthony B, foram o ponto de partida para o mais recente projecto, a colaboração com os Midnite “Suns of Atom”.

Suns of Atom

O facto de esta não ser a primeira “viagem” dos Midnite pelo New México (em 2006, o hip-hop, jazz e dub dos Mystic Vision, de Albuquerque, juntou-se também a Vaughn Benjamin para o lançamento da Natural Vibes “Current”), faz-nos perceber que também este spot, imana energias criativas, que no mínimo se adaptam e criam a acústica ambiental, ideal para o génio lírico de Vaughn Benjamin…Em “Suns of Atom”, mais uma vez e primeiro que tudo, é impressionante a capacidade e entrega vocal de Benjamin, com o seu flow único, e invejável recusa à repetição, que encontrou nos Lion Tribe mais um veículo de fazer passar a sua construtiva e contínua mensagem.Para tal Juaquin Wilson, fundador da Fifht Son, providência os seus beats digitais e as suas potentes linhas de baixo, acompanhado pela guitarra de Lonn Calanca, as teclas de Daniel Garcia e pela bateria e percussões da voz principal dos Lion Tribe, Jeremiah Glauser (audível ainda que discreta, mas complementar à voz de Benjamin ao longo do set). Como é habitual nestes lançamentos de colaboração dos Midnite, os arranjos de sopros são explorados em algumas das malhas, aqui a cargo da El Rito Marching band.
Do início ao fim, Suns of Atom é como que um resplandecer das raízes da música ao longo dos tempos, através dos temas de roots reggae, inteligentemente alinhados ao longo do set, a espaços com os outros estilos explorados.

SunsofAtom tracklistAssim ao hardcore roots “à Midnite” de temas como Meltout, Atom Trees, InIrie ou a “clássica” Moonlite, junta-se a mestria digital de Juaquin Wilson em End of Doubt e Avionics, dois exemplos da versatilidade de Vaughn Benjamin a explorar o flow do hip-hop…como também só ele o entende…ou em Sanctify, onde à harmonia de Benjamin com a paz interior proporcionada pela erva sagrada, juntam-se cânticos de santificação numa autêntica expressão de transe espiritual.
Um dos mais fascinantes aspectos de Suns of Atom (e da composição dos Lion Tribe) é sem dúvida a dispersão e entrega do roots ao mundo, através da tradição indiana e oriental, com as tablas e os mrdungums a marcaram as vocalizações de Benjamin na rocksteady jazzy! Temple e na chanting/drumming combination WeesideRoshan Bartya é outro dos nomes convidados em “Suns of Atom” com as notas místicas da sua cítara, presentes um pouco ao longo de todo o set, e em destaque na oriental style These and Those…De destacar também a presença do chanter Jah Rubal das Ilhas Virgens, voz da malha Ganjahman, no seu incisivo riddim rider singjay style, no que parece ser uma crítica á hipocrisia e dualidade que acompanham o consumo de ganjah nos nossos tempos…

Global Roots, é a expressão que melhor define este Suns of Atom…com Vaughn Benjamin e os Lion Tribe a darem uma verdadeira lição de fusão musical e distinta instrumentação, com todos os temas, sem excepção, a transmitirem algo de único e novo (quanto mais não seja para o ouvido comum…), e com um nível de qualidade aconselhado a todos os que apreciam música do futuro, reflectida pelo passado…Um transe, claramente consonante com o voz dos Midnite e sinónimo (depois de experimentado…) com estes novos ares proporcionados pela localidade de Taos, New Mexico…aqui transcritos por limitações vivenciais…

“-Roots people = roots music-
From here we come to you,
riding rivers of sound, analog building blocks and digital transference,
wearing colors of intentions and breathing deeply in the trance.
Botanical and Trichromed InSpIrations”

ZonaReGGae reviews “Rule the Time”

March 7, 2007

Midnite & I GradeRule the Time 2007 I Grade Records

Rule the Time

Localizadas no mar das Caraíbas as Ilhas Virgens foram descobertas e baptizadas em 1493 pelo habitual Cristopher Columbus e dividem-se, actualmente, em dois territórios distintos, pertencentes aos Estados Unidos da América e ao Reino Unido…Apesar da divisão política, as linhas imaginárias fronteiriças não distinguem as origens e laços culturais das populações deste paraíso natural…Saudável como sempre, a música representa uma grande porção da interculturalidade inerente às Caraíbas, e para além dos folclores tradicionais, Fungi, Quelbe ou Bamboula (muitos deles já extintos…) os estilos pan-caribenhos: Soca, Calypso e Reggae são as principais “importações” musicais do paraíso natural, tornado turístico, no final dos anos 70….

 US Virgin Islands       US Virgin Islands

Por aproximação geográfica, cultural ou energética o Reggae Jamaicano teve desde muito cedo uma influência crucial nas Ilhas Virgens norte-americanas, um conjunto de certa de 50 ilhéus com pouco mais de 119 mil habitantes, onde as 3 principais St. Thomas, St, John e especialmente St Croix, tem desenvolvido ao longo dos últimos 25 anos uma cultura inspirada no roots jamaicano, que reúne o melhor da vivência rastafari com uma inspiradora inovação musical que parece ser comum ao talento inerente aos músicos desta desconhecida localidade…

Por certo que nos eighties, já o reggae competia nas Ilhas Virgens com os mais populares Calypso e Soca, principalmente através de nomes “fundadores” como Ronnie Benjamin, Inner Visions, Midnite, Umojah ou Bambú Station…Essas foram as bases que vinte anos depois viram o trabalho reconhecido no florescer daquele que pode já ser considerado um dos novos movimentos musicais/culturais dos novo milénio! Este despertar do mundo para o VI Roots movement, deve-se em grande parte a três círculos complementares, o emblemático colectivo Midnite, a “revolucionária” label I Grade Records e…as ruas de St Croix!!!
De facto, desde 2000, que os Cruzians têm revelado um talento natural para o reggae, com dezenas de novos músicos, chanters, singjays & Mc´s a esperarem a sua oportunidade para espalharem uma vibe consciente e reminiscente dos seventies jamaicanos…

Muitos deles, conseguiram a sua estreia através da inovadora I Grade Records, fundada em St. Croix no ano de 2001, pelos “mestres” Laurent “Tippy” Alfred e Kenyatta Itola…dois dos mais dotados músicos e imaginativos produtores das VI, que formaram a I Grade Records com a missão de produzir e lançar o roots reggae de grande qualidade que começou a surgir em St Croix e nas Ilhas Virgens em geral, e “orientar” a criação musical dos novos talentos da Ilha….
Desde então, a I Grade já lançou quase duas dezenas de álbuns, e é já aclamada pela capacidade de “mostrar” ao mundo, algumas das mais fascinantes vozes do reggae dos últimos tempos, com as estreias de Dezarie, Abja, Army, Yahdanai ou Niyroah….entre muitas outras produções, compilações, e colaborações com o mais surpreendente colectivo das VI – os Midnite!

VIRoots.com

Se o som da I Grade Records é sem dúvida alguma enraizado na tradição jamaicana, o hip-hop, o soul ou o jazz completam a identidade musical da label, assente actualmente na connection entre o clássico e o moderno….o mesmo se pode insinuar acerca dos Midnite, quinteto formado no final dos anos 80 em St Croix pelos irmãos Ron & Vaughn Benjamin, teclas e voz, (filhos do “fundador” Ronnie Benjamin), pelos riddim providers Dion Hopkins & Joe Straw (bateria e baixo) e por Trippa (guitarra)…. (actualmente Abijah na guitarra, e Philip Merchant no baixo)

Midnite

Aquando da formação, o reggae nas Illhas Virgens era escasso e underground, daí a precoce mudança para Washington DC, casa dos Midnite nos praticamente seis primeiros anos de existência, onde criaram uma legião de fãs, que religiosamente os seguia, onde fossem tocar os seus poderosos e famosos sets, muitas vezes, superiores a 3 horas!!!
Os dois primeiros álbuns “Unpolished”(1997) e “Ras Mek Peace”(1999), quebravam as regras da altura, onde o Roots cru e duro dos Midnite (em “Ras Mek Peace” gravado para apenas duas pistas e masterizado sem qualquer recurso digital!) não encontrava ainda espaço na indústria de promoção…determinados a seguir em frente e a quebrar os “moldes”, o retorno a St Croix para formar a própria label African Roots Lab e trabalhar com os artistas locais sem interferências “babilónicas”, trouxe uma série de novos álbuns ao longo dos anos como: ”Jubilles of Zion”(2000) ”Seek Knowledege Before Vengeance”(2002), “Intense Pressure”(2003) “Scheme a Things”(2004) ou “Ainshant Map”(2004)

O reggae dos Midnite, sempre foi expansivo e hipnótico, para além de repleto de mensagens de paz, união universal e resistência cultural…e uma intensa criatividade e exploração musical inerentes ao génio dos irmãos Benjamin…A música africana, o World Beat, jazz, hip-hop, dancehall, a electrónica e até mesmo as chamadas tendências “industriais”….todas e muitas mais, começaram a fazer parte das viagens musicais dos Midnite, principalmente através do projecto paralelo Midnite Branch I (liderado pelo baixista Philllip Merchant, e que apresenta “o som” distinto…e desconcertante dos Midnite), e de colaborações com novas editoras, produtores, bandas e projectos como como Ras L (Thru & True), Mystic Vision (“Current” & “New 1000”), Lion Tribe (“Suns of Atom”), Groundbreaking Records (“Anned”)…

Claro está que a I Grade Records, faz também muita da história recente dos Midnite, com alguns dos membros da banda, em conjunto com Laurent “Tippy” Alfred (produção e guitarra) e Kenyatta Itola (baixo), a lançarem desde 2001 até á data, seis álbuns da formação “Midnite – I Grade”, provavelmente a mistura ideal – o roots expansivo dos Midnite e as inovadoras técnicas de produção da I Grade -

Para um colectivo que nos últimos 6 anos esteve envolvido na produção e gravação de cerca de 20 títulos tão distintos, é compreensível o descrédito e desânimo que a crítica e o núcleo de fãs do roots oldscholl dos Midnite tem demonstrado nos últimos tempos, face à demasiada divagação musical da banda…no entanto a história discográfica Midnite – I Grade, “conta-nos” algo diferente: “Nemozian Rasta” (2001), Roots, com a divina voz de Dezarie em três malhas; dancehall e hip-hop, recordam as raízes do grupo e introduzem novas tendências; Assini (2002); Geoman (2002) e Vijan (2003), acompanham o período criativo dos Midnite Branch I, com a fusão de estilos e a exploração pelo universo dos instrumentos a demonstrarem uma enorme evolução musical….por fim Let Live (2005) Jah Grid (2006) parecem anunciar um novo ciclo que os levou até ao mais recente lançamento Rule the Time (2007), o retorno à vibe do oldscholl, com todo o ensinamento que a divagação dos últimos anos proporcionou…

Rule the Time tracklist+infos

Dois aspectos destacam-se ao longo das 19 malhas de “Rule the Time”: o extraordinário entrosamento instrumental e a qualidade visionária e poderosa da lírica e voz de Vaughn Benjamin…O misto de vocalizações tribais e spoksword dub poetry tradition de Benjamin, acompanham praticamente qualquer tema que conta com a sua presença…e “Rule the Time” não é excepção, com a intensidade, mística e sentimento da voz de Benjamin a apresentar aqui mais uma extraordinária aventura lírica, de uma voz única no mundo e que nem sempre encontra espaço na música para as suas palavras e pensamentos visionários de alerta para os dias atribulados e crença nos poderes superiores (Vaughn Benjamin lançou recentemente “Koll Pekude”, livro de poemas que reune cerca de 120 poemas e letras por editar, onde podemos “ouvir” a profundidade da escrita, espírito rebelde e liberdade de pensamento de um dos mais prolíficos songwriters da actualidade!)

Koll Pekude

A providenciar o pano de fundo para o interminável flow de Benjamin, os membros da Red I Band, T Rock, Kenyatta Itola e Tuff Lion providenciam muita da base musical, com o próprio Vaughn Benjamin e o produtor Tippy a interpretarem também uma série de instrumentos…Jah Rubal, um dos chanters do momento em St Croix, dá a sua voz em “Sellassie I Say”, num estranho, mas inovador Singjay style. A completar, o trompetista Balboa Becker e o saxofonista Garret Kobsef acompanham com o aspecto mais único de “Rule the Time”, um trabalho de arranjos de sopros (em 11 dos temas…) que nos leva até aos tempos dos seventies jamaicanos, recriando a força e ingenuidade dos sopros dessa era clássica, audível logo nas malhas de abertura “Stretch Out”, ou no single de apresentação “His Majesty”.

Artwork by Marcus

È difícil destacar os melhores momentos de “Rule the Time”, e ainda que temas como “Runaway” “Sensi Tie Chi”, “Symbal is the Leaf” ou a jazzy style “Get Up”, continuem a marcar a presença eclética inerente à história dos Midnite, temas como “Love & Light”, “Rule the Time”; “Again A Lion”, “Born in the Time” ou Good Thoughts” são autênticas hinos inspirados na música roots, que nos envolvem num enlighment descritivo dos tempos em que vivemos e da “cura” visionária a seguir…
A emoção e o coração, são dois “membros” que é também possível descortinar como omnipresentes na criação de “Rule the Time”, tal a força e intensidade com que este “novo” som dos Midnite nos ataca…

O estrelato está banalizado por todo o universo da música, e invariavelmente já desprovido da sua essência….os Midnite possuem essa essência desprovida do compromisso com o estrelato, mas firme e estabelecida através da já longa luta para quebrar as regras e introduzir novos padrões…. O talento natural, a visão musical…a crença em Jah Rastafari e a devoção a Sellassie I, são essas as fundações do som único dos Midnite, máximos representantes daquilo que se pode entender como Modern Roots Revival…a actualidade e o futuro da música reggae são um dos reasonings dos dias de hoje…o futuro só o tempo presente ditará…e para os Midnite….

”Time is not counted from daylight…but from Midnite”

ZonaReGGae reviews “Belly Ska riddim”

February 28, 2007

Mungos Hi FiBelly Ska riddim [revival] 2007 Scotch Bonnet Records

BellySka pressrelease

Desde os tempos dos dancefloors jamaicanos da década de 60 (quando surgiram as primeiras re-gravações de reggae sem voz), passando pelas primeiras “remisturas” de King Tubby e os primeiros álbuns de dub da década de 70 (criados pelo génio de nomes como Herman Chin; Errol Thompson, Keith Hudson ou Lee Perry)…até á evolução britânica de Mad Professor, Jah Shaka ou Adrian Sherwood nos eighties, a música dub sofreu muitas alterações.
Simultaneamente, o dancehall riddim shower dos anos 80, transformou em produto comercial o que inicialmente servia o propósito de tornar originais os espéctaculos ao vivo. Se riddims como Sleng Teng ou Answer, foram alvo de centenas de remisturas nos últimos 20 anos, muitos são também os chamados lançamentos de “new roots” que esgotam e abusam da mística original da sua influência primária…
Se a “indústria” jamaicana se fascinou e perdeu nesse universo, felizmente os seus “descendentes” britânicos souberam , através da cultura underground londrina, inovador, experimentar, recriar e fundir o dub com as mais variadas tendências musicais (drum n bass, jungle, dubstep, hip-hop…), criando as bases para um universo em constante reconstrução, que conheceu no ínicio do novo milénio um rebirth pelas mãos da nova geração de crews de produtores/engenheiros, DJ’s, Mc’s e soundsystems europeus…

                                 

Uma dessas “equipas” que mais tem inovado e surpreendido nos últimos anos, mora na Escócia, e dá pelo nome de Mungos Hi-Fi. Soundsystem de Roots Reggae dancehall, tornado produtora em 2001, os Mungos Hi Fi tem lançado hits no mercado europeu, desde o single de estreia “Wickdness” (2001) com a participação do conhecido MC Brother Culture, a qual se seguiram as compilações Truth Dub (2002) e A new Breed of Dub (2002)…Ambas lançadas pela label DubHead, estas foram as bases que deram a conhecer as produções dos Mungos Hi Fi, ajudando ao sucesso os habituais spins nos sounds de Jah Shaka, Iration Steppas ou Mr Scruff.

Scotch Bonnet Records

Com residencia nos maiores clubes nocturnos de Glasgow, programas de rádio na Escócia e pela internet, e extensas tours pelo Reino Unido e Europa (muitas delas acompanhados de DJ´s e MC´s da nova geração jamaicana) os Mungos Hi Fi, criaram em 2005 a sua própria label, Scotch Bonnet, marcando o acontecimento com o lançamento do 10” “Belly Ska/Belly Ska dub” o lado B da UK dancehall dub style “Rasta Meditation/Meditation dub” com a voz ragga do popular Kenny Knots.

MC IshuApesar de ser o lado B do lançamento de estreia da Scotch Bonnet Records, “Belly Ska”, foi mesmo a aposta, e o êxito imediato deste lançamento, ajudando para tal a voz do MC Ishu, um mestre do microfone, habituado ás lides de soundsystems por toda a Europa, e conhecido principalmente pelos seus trabalhos com os produtores de drum & bass Analogue Mindfield, Ruud Awakening e por ser o front man da banda de drum & bass Step 13.

A edição limitada de 1000 unidades em Agosto de 2005, esgotou antes de os Mungos se aperceberem do sucesso que estava a fazer por toda a Europa, sendo o hit do Verão…underground!
6 meses e muitos pedidos depois, os Mungos Hi Fi, voltam à carga, com o revival do Belly Ska riddim, mais imaginativo, diverso, remixado e potente, que qualquer outro reprint dos últimos tempos!

Pegando na experiencia positiva de diferentes remixes de dub para cada uma das versões do riddim de dancehall dub ”Songs of Zion”, lançado no entretanto, este “novo” Belly Ska, junta ao 10” original de MC Ishu e Kenny Knots, quatro novas versões, todas em estilos vocais distintos a cargo das vozes de Ranking Joe; Daniel Ray; Marina P e Nafees.

“A few screws loose”, é a malha de Nafees, um dos mais recentes MC´s de hip-hop britânicos, destacando-se pela sua vibe lírica consciente. O mais diferente e talvez especial de todos os rides no Belly Ska, veêm acompanhado do “Belly Ska REMIX”, versão remixada por excelência, num género de drum/dubsteps muito desacelarado, que mistura vocal samples de Naffes e MC Ishu…

“Divorce a l’ítalienne”, apresenta Marina P. Dona de uma potente voz, o estilo jazzy de Marina apresentado aqui num mix de inglês/italiano, revela o seu background de trabalho em musicais, teatro e espectáculos de jazz…Bhale Bacce Crew; os Surviv’all são alguns dos projectos franceses de Marina P, uma autêntica diva, com qualidades vocais, que prometem um futuro, muito além do universo do reggae….”Divorce Dub” não foge à regra, e remistura-se com echos e efeitos até mais não…

“Olympic”, traz a tradição vocal do conhecido Kilimanjaro soundsystem, com Ras Daniel Ray, a “dar” um mix de flow da geração jamaicana do dancehall do início dos anos 90, e dos seus trabalhos com Nucleus Roots nos ultimos anos…”Olympic” faz mesmo parte do set ao vivo de Ras Daniel, e é talvez o mais contemporâneo que aqui encontramos da actualidade do dancehall reggae….”Belly Ska Special riddim” é a versão instrumental, ao que tudo indica, a convidar os chanters, Djs e MC´s….give it a try….

“I Love Jah”…no Bang-Dilly style de Ranking Joe, é apenas e só, o cut que faltava! Como que retornando ás origens, os Mungos convidaram o veterano do Studio One para recriar toda a tradição do DJ style jamaicano, no particular estilo de Ranking Joe…numa também mistura vocal reminiscente dos tempos do King Stur-Gav Sound de U Roy e dos seus trabalhos mais recentes com Jah Warrior ou Easystar AllStars….Para os amantes da mistura, ideal para combinar com o rub-a-dub style de MC Ishu, po si só emblemático das melhores sessões londrinas…

Para quem nunca ouviu, o Digi-Ska-Steppas riddim “Belly Ska” foge á regra, pela sua combinação de pesadas linhas baixo e intrigrantes e precisas percussões, com a tradição do ska jamaicano através de um extraordinário display de sopros, em tributo ás origens musicais de Don Drummond, Roland Alphonso ou Tommy McCook!

        

Com Belly Ska, os Mungos demonstram que por vezes é melhor recriar e reinventar, do que lançar riddims novos com o propósito de venda comercial e alimentação das dancefloors dos Djs de clichés efêmeros, e este é sem dúvida o trunfo que faz dos Mungos Hi Fi o sound número um na Escócia e um dos mais inovadores da cena dancehall UK dos últimos tempos!


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